Por BARROSO da FONTE
É uma obra gráfica de alta qualidade, que documenta cem anos de existência da Olegário Fernandes. O transmontano A. Guilhermino Pires, que coordena o volume, assina a introdução e as páginas: 219 a 222. Este mesmo especialista assina também o IV capítulo, desde a pp 191 à 213 e nesta narrativa reflete «as crises que tanto afectaram a vida nacional, desde a crise do papel, à maquinaria e a nova linguagem gráfica; o ensino profissional; publicações de referência, revistas, livros, embalagens, rótulos e etiquetas; novos produtos, novos consumos; casas impressoras e o aparecimento do sistema de impressão offset».
Guilhermino Pires recua ao período do fim da II Grande
Guerra (1945) e ao arrastamento pela Europa das crises que se traduziram em 45
milhões de mortos. A indústria gráfica, como em todos os setores laborais,
implicou grandes investimentos na formação técnica e profissional. «Até 1968
foram várias as casas impressoras que surgiram, com projetos inovadores que
implicaram feiras e exposições, começando a invasão do mundo gráfico por
equipamentos foto-compositores correntes para textos e de fantasia. Foi
dessa necessidade progressiva que surgiram as máquinas foto-tituleiras
semiautomáticas e se implementou o princípio hegemónico da impressão Offset».
Guilhermino Pires explica, em linguagem técnica, esta
evolução que «veio destronar a impressão tipográfica. E foi no princípio
deste movimento progressista que João Henrique Baeta decidiu comprar a Olegário
Fernandes».
O Presidente da Direção Executiva Nacional da Apigraf, José Manuel Lopes de Castro, escreve no prefácio, que também assina, que «a celebração dos Cem anos da Olegário Fernandes - Artes Gráfica S.A. constitui um momento de enorme orgulho e prestígio para o setor das indústrias gráficas».
O autor desta nota de leitura ficou muito honrado com
este volume sobre os 100 anos da Empresa que Olegário Fernandes fundou em 1922
e que resistiu tenazmente a tantos e tão desconfortáveis acontecimentos que
abalaram o século XX.
Este volume de 264 páginas bem pode chamar-se o livro de ouro, porque todos os intervenientes contribuíram para, em tons dourados, ser modelo gráfico, quer na qualidade das manchas do papel, quer nas cores do alfabeto, no fim de cada capítulo ou de cada tema ou testemunho. Num livro que marca uma data centenária, que superou tantos obstáculos e crises da mais diversificada natureza e que está em condições de competir com muitas outras gráficas, nacionais e estrangeiras, merece que se apregoe e se batam palmas a quantos tornaram possível tão primorosa obra. Ao longo do livro surgem imagens, fotos de máquinas que marcaram épocas e até fotos lendárias, como o soldado «Milhais que valeu milhões», em contraste com o desenho de Gutenberg (1396-1468), «achador» ou pai da imprensa.
Conforme se lê no prefácio, Olegário Fernandes fundou
a empresa de Artes Gráficas em 1922. Em 1968 João Baeta adquire-a, com José
Fernandes. Em 1993 as instalações saem do centro histórico de Lisboa para
Massamá Norte, no concelho de Sintra. João Baeta impôs o seu estilo de trabalho
e conseguiu ultrapassar a confusão pós revolução de Abril de 1974, que abanou
os alicerces. A transição da Tipografia tradicional para a impressão offset
causou «tempos turbulentos». João Baeta assumiu transferir equipamento e
montagem de uma unidade gráfica para a Guiné Bissau: a Guinégráfica, com vinte
trabalhadores. Foram 10 anos para esquecer. Dada a perturbação e instabilidade
vivida nesse país, nos fins do século XX, a tecnologia da Olegário
distribuiu-se por duas Unidades em Góis, Beira Serra, a Bobirótulo - Indústria
de Rótulos e Embalagens, com dezoito colaboradores, produzindo rótulos
autocolantes em bobine e várias outras produções afins à transformação de novas
matérias. João Baeta também sempre lutou pela solidariedade e pelas justas
causas sociais através da produção gráfica do suporte de eventos de divulgação
e apoio a instituições humanitárias e culturais.
Embora tenha cerca de setenta anos de ligação à imprensa escrita, criada no século XV por Gutenberg, obras como esta, do Centenário da Olegário, são raras na minha biblioteca de uma vida inteira. Agradeço ao transmontano Guilhermino Pires que foi um dos maiores entusiastas e obreiros desta organização exemplar.
Barroso da Fonte
(decano dos jornalistas Portugueses vivo)





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