por BARROSO da FONTE
Da primeira obra já dei conta aos Barrosões. Estes Diários,
sem dúvida, vão dar muito que falar, talvez tanto como se tem falado de «Frei
Bartolomeu dos Mártires» (1514-1590) que cirandeou por terras de Barroso e
lá missionou a desculpa do provérbio latino «saltem barrosani», para
mitigar o frio, o gelo e a neve que toleravam, ao clero, para que «ao menos
esses, pudessem casar».
No II volume dessa mesma obra, nas pp. 325 e 326, em
2001, tendo valorizado o seu curriculum, entendi atualizar a sua ficha,
quer a nível profissional, quer literário e artístico. Não me surpreendeu,
contudo, que, em 7 de Outubro último tenha apresentado no auditório do Centro
Cultural de Chaves, onde reside, este volume de 390 páginas.
Cerca de uma centena de amigos e admiradores da obra deste transmontano, testemunharam o «enaltecimento do falar mais genuíno do povo transmontano. Fruto de um trabalho desenvolvido para evidenciar e preservar o maior tesouro de um povo, nomeadamente a sua língua, o autor recolheu vários nomes e expressões tradicionais que radicam na natureza humana, especialmente nos seus costumes, vivências, fraquezas, crenças, jogos amorosos e lúdicos. Recorrendo a quadras populares, histórias, comentários, excertos, chistes e adágios, pretendeu emergir a palavra como repositório cultural de um povo, representando uma componente identitária da história de uma região».
Este livro, graficamente exemplar, de formato bem pensado e de
grafismo atraente, merece encómios que me apraz distribuir pelo autor, pelo
apresentador Cassiano Reimão e pelo introdutor, A. M. Pires Cabral. Todos
engrandecem a obra que exalta este «Repositório da Cultura Transmontana».
Quando
decidi elaborar o Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto
Durienses, estava longe de pensar que iria escrever 1850 páginas, nos três
volumes, com o gosto de trazer, à superfície, os meus comprovincianos que
souberam competir, positivamente, com os cidadãos de
outras regiões do país.
Não esperava é que alguns desses milhares de nomes biografados
ignorassem a minha obra, se um ou outro, viesse a editar obra semelhante.
Talvez o título deste dicionário picaresco encontre, nesta obra,
um sinónimo ainda mais ajustado ao conteúdo. Não será fácil. Mas talvez algum
leitor possa escolher, nesta lista de sinónimos de picaresco, o sinónimo
mais expressivo para ajuizar acerca desta distração: ardiloso, matreiro, inteligente, sagaz,
perspicaz, astuto, patife, velhaco, vilão, espertalhão, manhoso, grotesco,
trapaceio, tratante, pícaro.
Esta facécia picaresca, mesmo em tom galhofeiro, resulta da
análise às pp 386-390.
Também esta frontalidade social, se encaixa no mesmo tipo de
sinónimos, ou seja: piadas, anedotas, troças, brincadeiras, graças, motes ou
partidas.
No fundo, neste jogo linguístico de regionalismos domésticos,
poderão ser acrescentados mais termos a uma possível reedição deste dicionário
picaresco ou satírico. Conclusão: tudo o que surpreende, positivamente, cabe no
repositório da cultura Transmontana que herdámos e pretendemos legar.
Mas também confirma a tradição que quem não se sente, não é filho de boa
gente.
Edição do autor, 2022, Gráfica Diário do Minho.
Parabéns Armando Ruivo.
Barroso da Fonte


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