Habitação económica do Estado Novo
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A propósito do último programa governamental sobre a habitação (e até da inoperância democrática sobre o assunto, durante 48 anos), sugere-se:
LASICS - GESTÃO DE EVENTOS CIENTÍFICOS, XIV
COLÓQUIO IBÉRICO DE GEOGRAFIA
O Estado Novo na promoção e implementação de bairros de habitação social na
cidade de Lisboa
Gonçalo Antunes, José Lúcio, Nuno Pires Soares, Rui Pedro Julião
Última alteração: 2014-09-07
RESUMO
O presente trabalho tem como objectivo
analisar as políticas e programas protagonizados pelo Estado Novo (1933-1974)
no sector da habitação. Em síntese, pretende-se compreender quais foram as
singularidades das opções tomadas pela administração pública face ao
crescimento demográfico e urbano da cidade de Lisboa desde 1933 até ao 25 de
Abril de 1974.
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| Habitação económica do Estado Novo |
O Estado Novo - compreendendo que o
crescimento demográfico e urbano poderia funcionar como potenciador de desordem
pública -, implementou diversos programas de habitação social na tentativa de
colmatar o deficit habitacional.
Os programas de habitação social do
Estado Novo eram marcados, entre outros, pela conjectura económica e,
igualmente, pela ideologia política dominante. No período correspondente às
décadas de 30 e 70 do século XX, a administração pública evoluiu na concepção
de habitação social, situação evidente nas opções arquitectónicas e de desenho
urbano.
A análise aqui proposta centra-se em
três fases temporais:
I)
Primeira Geração: numa primeira fase (década de 30) surgiram os “bairros de
casas económicas”, adoptando o modelo de casas unifamiliares (e.g Bairro
Madre de Deus, Bairro do Altivo). Seguindo o mesmo modelo unifamiliar, surgiram
outros programas, como por exemplo os bairros de casas
desmontáveis (e.g Bairro das Furnas)
Os bairros de casas económicas procuravam
a baixa densidade e, sobretudo, um modelo arquitectónico e de desenho urbano
(dito) aportuguesado, influenciado pela Casa Portuguesa de
Raul Lino. A concepção dos bairros de casas económicas era
ainda influenciada por programas similares de ditaduras europeias (e.g italiana).
II)
Segunda Geração: na década de 40 a ditadura continuou a promover programas de
habitação social. Contundo, diversos princípios instituídos foram alterados,
adaptados e reformados.
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| Habitação económica do Estado Novo |
Com a década de 40 nasce o programa de
habitação social “bairros de renda económica”, substituindo o programa
anterior.
Os “bairros de renda económica”
eram compostos por edificado multifamiliar, de vários pisos, assim como por um
desenho urbano clássico e integrado na malha urbana da cidade (e.g bairro
de Alvalade).
III)
Terceira Geração: durante os anos 60 o Estado Novo continuou a promover
programas de habitação social.
Neste período a iniciativa do Estado
Novo voltou a reformar-se, sendo as opções arquitectónicas e de desenho urbano
anteriores recusadas. Desta forma, os novos bairros foram influenciados pelos
ideais modernistas da Carta de Atenas (e.g bairro Olivais Norte, e
Olivais Sul).
Objectivos do trabalho:
a)
Analisar as reformas que o Estado Novo implementou nos programas de habitação
social entre no período 30-70 do século anterior. Desta forma, pretende-se
perceber quais foram as opções arquitectónicas e de desenho urbano que
influenciaram cada um dos períodos referidos, assim como as suas origens e
influências ideológicas (endógenas e exógenas).
b)
Compreender a distribuição socio-espacial dos bairros construídos na cidade de
Lisboa. Ou seja, estudar a distribuição geográfica dos bairros, nomeadamente a
distância ao centro da cidade e de como estes se integravam na malha urbana
existente.
c)
Identificar a quem se destinavam os bairros de iniciativa Estatal. Assim,
pretende-se compreender a composição social destes espaços.
d)
Quantificar numa perspectiva espacial de que forma os bairros de habitação
social contribuíram para o crescimento da cidade, considerando a importância
quantitativa de cada núcleo como peso fundamental para a análise.
e)
Identificar projectos de habitação social relevantes (promovidos pelo Estado
Novo) e implementados em outras cidades no nosso país.
A pertinência do trabalho consubstancia-se na análise de como o Estado Novo compreendia a tarefa de fazer cidade num importante momento em que a capital de Portugal se renovava e expandia. Pretende-se, em especial, perceber como o Estado Novo foi hábil a reformar as políticas e programas de habitação social conforme a conjectura política, cultural e económica se alterava. Paralelamente, propõe-se analisar socio-espacialmente o fenómeno de habitação social impulsionada pelo Estado Novo na cidade de Lisboa.
PALAVRAS-CHAVE
morfologia urbana; habitação social; composição social; Estado Novo; análise espacial
FONTE:
http://www.lasics.uminho.pt/conferences/index.php/CEGOT/XIV_ColoquioIbericoGeografia/paper/view/1381



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