Uma proposta:
Elevação da MÚSICA DO
DOURO a PATRIMÓNIO IMATERIAL MUNDIAL
Sou o autor do GRANDE
CANCIONEIRO DO ALTO DOURO, uma recolha (com
um estudo histórico-literário) de 1.150 musicas em 3 grandes volumes, num
total de 1.920 pgs.
Tenho vindo a partilhar essas e várias outras músicas (letras e som mp3)
através do meu site:
https://amadora-sintra-editora.pt
Vamos mostrar à UNESCO:
Além das marcas materiais da Paisagem, será bom não
esquecer o Património Imaterial do Douro:
As narrativas em prosa, as narrativas em verso (os rimances), as canções de
amor e trabalho da vinha, as chulas, as tunas rurais, os cânticos religiosos,
as desgarradas….
Estas Memórias colectivas fazem com que a Poesia e a Música constituam uma das
expressões da alma suprema do Povo do Douro.
Se a poesia revela fragilidades, as músicas são imutáveis: qualquer melodia,
mesmo a mais linear, tem as estruturas matemáticas de um diamante.
Estes diamantes foram polidos por muitos séculos de uso sobretudo a partir de
um eixo comum, que se pode situar no séc. XI: a centralidade de Santiago de
Compostela.
Tal centralidade foi garantida, ampliada e solidificada pela acção da ordem de
Cister de S. Bernardo, que, aqui no Douro, fundou vários conventos: S. João de
Tarouca, Salzedas, S Pedro das Águias, St Maria de Aguiar… o que não foi
por acaso.
A monarquia borgonhesa trouxe até D Afonso Henriques as vinhas natais da
Borgonha e a acção vitivinícola dos frades sublimou-se na criação do “vinho
cheirante de Lamego”, domínio de Egas Moniz, de Afonso Henriques e de D. Sancho
I.
– O Douro vitivinícola foi uma criação de Cister, com
D. Afonso Henriques (Varais, 1142);
– O primeiro Trovador (cantiga de amigo, 1199) é D.
Sancho I ;
– O primeiro Teatro em Portugal é dos dois Bobos de
Canelas (do mesmo D. Sancho I, 1193).
Pessoalmente, como duriense, embora viva em Sintra,
sinto muito que o nosso Douro pouco se tenha atrevido a estudar e a reivindicar
o seu privilegiado estatuto e pioneirismo político, religioso, cultural e
económico a nível nacional.
Tudo o que é sociologicamente importante está
documentado nas mensagens das cantigas:
De facto, esse tempo factual da Fundação de Portugal é de guerra e sofrimento;
mas a Memória Imaterial preserva, na poesia e na música, o amor, e a religião,
e a ruralidade, e a iniciativa feminina, e os cenários domésticos, e o
matriarcado, e o animismo (comunhão com a terra)… e, mais ainda, as festas e os
bailaricos, as troças, as más línguas e quezílias… nas cantigas de amigo, de
amor e de maldizer dos Cancioneiros.
Felizmente, ainda tem sido possível arquivar parte de todo esse manancial
sociológico em cancioneiros e outras recolhas, e identificar as grandes
estruturas formais da arte poética e musical, que ainda hoje perduram em
muitas cantigas do Alto Douro:
o leixa-pren, o número par de estrofes, a adaptação à dança (com voz e coro), o
refrão, o paralelismo, a alternância vocálica das rimas….
Assiste-se actualmente a uma grande degradação dos
gostos e modas comerciais desta sociedade de abuso e consumo: até a própria
Língua Portuguesa se está a bastardizar e a corromper …
Mas é estimulante a receptividade que a UNESCO
demonstrou ao reconhecer a MÚSICA ALENTEJANA como Património Mundial.
Como instituições e pessoas de vocação cultural, penso
que tudo temos de fazer para promover ao máximo este projecto.
Sintra, Páscoa de 2022
Altino Moreira Cardoso
https://amadora-sintra-editora.pt/produto/2022-alto-douro-patrimonio-musical-gcad/

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