quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Manto

 


CUSTÓDIO  MONTES

Manto

 

Também vesti o manto que me cobre

Desde o momento chave em que nasci

Desde então não há nada que me sobre

Deixei tudo fugir do que vivi

 

O manto que me sobra ficou pobre

Pois dia a dia andei, tudo perdi

E nada recupero até ao dobre

Do repicar do sino sobre mim

 

Irei refugiado na palavra

Que ficará indemne após a lavra

Harmoniosa e firme no seu canto

 

Do resto nada fica e o que ficar

É apenas o trajo a relembrar

Fica de testamento este meu manto

 

Custódio Montes

11.8.2022


in: REGRESSO


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