sábado, 2 de julho de 2022

Cartas do Pai - cartas dos pais reclusos no Gulag aos filhos


Já as monstruosidades leninistas e, sobretudo estalinistas estavam consumadas, na Europa ninguém sabia de nada. Isto é reconhecido por Rymond Aron nas suas Memórias, enquanto os intelectuais de esquerda, sobretudo franceses, recitavam loas a Estaline. É bem conhecido o caso de Bertolt Brecht .

Entretanto vários escritores que sofreram na pele anos a fio nos campos soviéticos foram publicando testemunhos dessas monstruosidades. Que também não chegavam à Europa.

Vassili Grossman (1905-1964) nasceu na cidade de Berdítchev, a “capital judia” da Ucrânia, no ano de 1905. Filho de judeus, o pai era engenheiro e a mãe professora. Embora tenha estudado engenharia, Vassili acabou por se tornar jornalista e escritor.

Em Vida e Destino, além de denunciar as atrocidades nazis, manifesta um profundo desencantamento com as lideranças soviéticas desde a revolução de 1917, denunciando os pogrom. O Terror leninista/estalinista foi confirmado em obras literárias como Tudo Passa.

Varlam Chalamov (1907-1982) nasceu em Vologda Filho de um padre ortodoxo, viveu os seus primeiros 22 anos em liberdade e os quase 20 seguintes como prisioneiro político em Kolimá, uma imensa mina de ouro. Os seus Contos de kolimá são, talvez, o maior testemunho da barbárie soviética.

Aleksandr SoljenitsinAlexander Soljenitsyne (1918-2008) nasceu em Kislovodsk. A grande obra de denúncia sobre o terror soviético foi uma obra sua - Arquipélago Gulag. Os gulag eram campos de concentração e de trabalho forçado na antiga União Soviética.

Um Dia na Vida de Ivan Denisovich foi a sua primeira novela. E foi o primeiro testemunho publicado na antiga URSS, por um dos presos políticos a mando de Estaline.


 

A Relógio D’Agua acaba de publicar um livro magnifico, profusamente ilustrado, para nós um dos livros do ano, patrocinado pela extinta Sociedade Memorial Internacional. Reúne cartas de dezasseis pais - muitos deles pertencentes à intelligentsia soviética, desterrados no GULAG -. São cartas que estes pais dirigem aos filhos e às suas esposas. Um testemunho da barbárie soviética descrita nos livros supra. A maioria delas são ilustradas. Por vezes, substituídas por postais.


Irina Scherbakova introduz o tema, mas do prefácio de Liudmila Ulítskaia retira-se: «Uma grande parte dos pais que escreviam cartas aos seus filhos nunca mais os viram, poucos foram os que voltaram, quase todos eles foram fuzilados ou morreram de uma morte precoce, de fome e do trabalho extenuante. Presentemente, até muitos dos destinatários, seus filhos, já não existem neste mundo. Mas nos arquivos da organização Memorial conservam-se essas cartas preciosas — grande monumento ao amor.»




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