Uma social-democracia liberal a
sério tem um SNS funcional e de contas certas. A complementaridade do Estado e
do privado na questão da saúde, num país do sul é necessária. A iniciativa na
área da saúde privada é fundamental, mas não é este o tema.
O SNS em países pobres como o
português é uma conquista civilizacional, mas tem de saber o que é, o que quer,
como funciona, como é gerido, o que pode e como oferecer.
O SNS está moribundo, apenas
existe pelos trabalhos milagrosos dos médicos, enfermeiros, auxiliares,
administrativos, etc… É chocante o fazermos de conta que é eficaz. O pior que
se pode fazer, nem é querer extinguir o SNS, nem desmantelá-lo às peças e
oferecer o que tem de melhor ao setor privado. O pior é negar a sua ruína. Por
exemplo, uma consulta de urologia não pode demorar 14 meses.
O nosso modelo de SNS tornou-se
inviável. Na visão estatista de uma certa esquerda determinados serviços podem
gastar sem qualquer critério e exigência. A ideia que sendo dinheiro público
não é de ninguém e que portanto os gastos são irrelevantes, pois as áreas da
saúde garantidas pelo Estado não podem em circunstância alguma falir, conduzem
a despesas acumuladas por décadas que mostram o pouco escrutínio em relação ao
Estado e do Estado consigo próprio.
Acabemos com falsos mitos, o SNS
não nos ‘salvou’ na covid. As restrições para consultas, cirurgias,
acompanhamento, etc.. provocaram (e provocarão ainda) mais mortos que os mortos
por covid.
A saúde para o Estado não pode ser
um negócio, mas também não pode ser ruinosa. Por isso temos de melhorar
radicalmente o seu funcionamento, mas também criar equilíbrio orçamental. Por,
exemplo, as comparticipações do Estado aos serviços prestados pelo privado têm
de ter um escrutínio que não apenas o economicista. As prescrições de exames,
tratamentos, etc., devem obedecer às melhores práticas e a exigência de
racionalidade. Entre 2015 e 2018 só cerca de cinco grupos privados de saúde
faturaram à ADSE cerca de mil milhões de euros.
A iniciativa privada é um bem, mas
o setor privado não deve crescer à custa do Estado.
Dizia um médico: «A medicina
liberal, tal como a conhecíamos, está a ser destruída por monopólios, tornando
cada vez mais os profissionais de saúde funcionários de ‘patrões sem rosto’.
Hospitais privados que pertencem a fundos cuja origem é incerta, construídos
com grandes apoios do Estado, muitos a fundo perdido, que parasitam o sistema
público, onde vão recrutar os seus elementos… listas de espera públicas que não
param de crescer, listas de espera que para o utente podem ser contornadas se o
cidadão pagar no privado, tudo isto é de uma promiscuidade atroz… como deve
reagir quem gere a coisa pública quando confrontado com o boicote organizado na
prestação pública, em benefício do lucro privado?».
Faltam uma aposta e uma visão de
futuro para o SNS transversal às várias forças políticas. O primeiro passo é
assumir-se que este SNS ruiu.
FONTE: https://sol.sapo.pt/artigo/772520/o-faz-de-conta-do-sns



Bem, o SNS deve abranger hospitais e Postos Médicos, sendo estes últimos, através dos médicos de Família, os que devem conhecer e acompanhar mais o doente. Mas afinal é assim? Quando precisamos, o médico não pode, pois tem a agenda preenchida ou, então, não tem capacidade para estudar o doente, por falta de meios. Conclusão, o doente vai ao Hospital à Urgência e espera ...sei lá quantas horas! Mas como o caso pode ser urgente, corre-se para o privado. E , depois? Ou tem dinheiro e paga e entra no circuito privado (nunca mais se livra)ou, então, morre.
ResponderEliminarPode acontecer outra coisa: ter uma prescrição muito cara e, aí, tem de ir ao "controlador" -Médico de família - pedinchar uma receita.
É lamentável descontar-se uma vida inteira para um sistema que não funciona!
Mais parece uma brincadeira...
Ressalvo os bons profissionais de Saúde e os Bons Hospitais que, felizmente, ainda temos. O pior é chegar lá...muitas vezes, fica-se a meio do caminho. Será que os nossos governantes sabem disso?
Devem saber, porque a Srª Ministra anda um pouco desaparecida.