sexta-feira, 15 de abril de 2022

Páscoa 2022 - Quinta-feira Santa

 

Páscoa 2022 - Quinta-feira Santa         



 

Quinta-feira Santa,

O maior dom do Teu amor!

Gesto que sempre me encanta,

Que me cativa, Senhor.

O Teu dom é infinito…

Responde à nossa fome, ao nosso grito! (1)

 

Hoje, Senhor, estamos em guerra,

Porque, por aí, um bardino,

Resolveu invadir uma terra,

E fazer das armas, o seu hino,

Para matar os seus irmãos…

Na Ucrânia caem pelos chãos! (2)

 

Assassino, sem pudor,

Parece gostar da matança.

Por todo o lado espalha terror,

Matando quase a esperança.

O Teu amor anule esta mão assassina.

No Teu dom, a nossa esperança se ilumina! (3)

 

Vemos o assassino a fazer prisioneiros,

Como que a cantar vitória definitiva.

Os seus desejos não se tornem verdadeiros,

E que o povo ucraniano, enfim, viva!

Mas precisamos, Senhor, da Tua proteção,

Hoje, em que tudo nos fala de comunhão! (4)

 

Em Ti, Senhor, ressuscite o amor entre os povos.

Que este mentecapto tome outros caminhos.

Em Ti, Senhor, a esperança de tempos novos!

Vê a Ucrânia a caminhar entre tantos espinhos,

Que as armas do déspota puseram à vista.

Que o amor que vem de Ti também o assista! (5)

 

Teófilo Minga

Carcavelos, 14 de abril de 2022

 

1)      O poema que cai bem neste dia. Hoje, 14 de abril de 2022 é Quinta-feira Santa. O dia em que o Senhor “inventou” o mais maravilhoso dos dons: o dom de si mesmo na Eucaristia. Ao mesmo tempo “inventou” o dom do sacerdócio para multiplicar o dom da Eucaristia por todos os cantos do Universo.

2)      Este ano comemoramos este dom sagrado e infinito no meio de uma guerra que, como todas as guerras “é uma loucura”, nas palavras do Papa Francisco. No dia em que celebramos de maneira especial o Sacramento da comunhão entre Deus a a humanidade inteira, e entre as pessoas entre si, um “carniceiro” como lhe chamam resolveu entrar em guerra contra um povo. Em vez da comunhão é a divisão. E sabemos que a divisão é obra do diabo. Diz ainda o Papa Francisco que na Ucrânia temos a prova evidente do mal. O mal que também é obra do diabo. Quando hoje, ouviremos nas celebrações de Quinta-feira Santa hinos ao amor de Deus, o “carniceiro de Moscovo” prefere o hino das armas. Aos hinos cantando a vida que Deus nos dá, a carniceiro prefere os hinos de morte que vai ecoando no território roubado e amordaçado da Ucrânia. Até quando, Senhor?

3)      É bem a nossa esperança: que o nosso amor, enraizado no amor de Deus, se sobreponha a todo o ódio. Este é o dia do amor de Deus por nós. E este amor “vivente”, que dá a vida, eliminará definitivamente toda a atitude de morte. É a nossa esperança e a nossa certeza.

4)      Todos os esforços de oração e diplomáticos devem ser feitos desde agora para diminuir o poder da morte, o poder das trevas, o poder da divisão. É no dom de Jesus que a nossa esperança se ilumina. Não seremos desapontados. Entretanto rezamos para que a vitória do amor e da comunhão triunfe sobre o ódio e a divisão. Precisamos que o Senhor intervenha neste conflito quando as negociações humanas produzem muito pouco ou nada e o “carniceiro” continua a sua carnificina. E como em toda a guerra há prisioneiros, família desfeitas, refugiados, torturas, mortos. O espetáculo confrangedor de uma guerra. De todas as guerras.

5)      Sim, não podemos desesperar do valor da oração, recorrendo muito embora a todos os meios diplomáticos possíveis, mesmo se o déspota de Moscovo tem feito ouvidos surdos a qualquer negociação. Como todo o ditador chega com os seus pontos inabaláveis. Seguro do poder das suas armas. Felizmente para além dos meios diplomáticos fracassados, resta o poder da oração. O Senhor é mais forte do que todas as guerras. E pode atuar através de muitos meios. O mais fácil seria através do dialogo e das negociações humanas. O ditador parece não ir por aí. Rezemos então. É até o momento de rezar, como o Evangelho também nos pede pelos nossos “inimigos”. O “carniceiro” é inimigo da humanidade inteira. É inimigo de cada um de nós. Rezamos para que se converta. O último verso estava escrito assim: “Que o amor que vem de Ti, sempre lhe resista!”. O que fazia sentido: o amor deve resistir a todo o ódio, fazer-lhe frente, de modo não violento. E talvez nessa não-violência, o verdugo possa refletir e converter-se. Acabei por mudar e escrevi: “Que o amor que vem de Ti, também o assista! Pensando precisamente no pedido do Evangelho que nos pede para rezar pelos inimigos. Para que, neste caso, o Senhor o converta e o traga aos caminhos da PAZ. Há sempre espaço para a paz. E os mortos e refugiados já são muitos. Que Deus nos conduza pelos caminhos da PAZ. E por esses caminhos conduza também o “carniceiro de Moscovo”.

Meus queridos amigos, Feliz Páscoa de 2022, na alegria de Cristo ressuscitado. Muito provavelmente, em vós, como em mim, esta alegria será mitigada por causa desta guerra brutal que ninguém esperaria no século XXI:

 

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