Chegou-nos artigo de David Martelo, do qual retiramos a passagem infra. Apenas porque nos foi enviado em PDF. E isso para a tecnologia dos blogues é problemática. Só em Word ou JPEG.
DAVID MARTELO
(...) Apesar da improbabilidade de uma integração
próxima, da parte dos países de Leste não tardaram os pedidos oficiais de
adesão à UE – Hungria e Polónia, em 1994, Roménia, Eslováquia, Estónia,
Lituânia e Bulgária, em 1995, e Eslovénia e
República Checa, em 1996. Tratava-se, seguramente, de uma opção quanto ao
futuro destes países – a consolidação de regimes democráticos de tipo ocidental
– e da rejeição inequívoca do seu passado como repúblicas socialistas da órbita
da URSS. Mas seria, também, uma demonstração de ressentimento pela sujeição
experimentada entre 1945 e 1990.
Entretanto, em 27 de Maio de 1997, é assinado
em Paris, entre a OTAN e a Federação Russa, o Acto Fundacional de Cooperação
Mútua, no qual, entre diversas considerações, se realçava:
Que a Rússia prosseguia a construção de uma
sociedade democrática e a realização dasua transformação política e
económica.
Que a Rússia estava a contribuir para as forças
multinacionais na Bósnia-Herzegovina.
Que, para assegurar as actividades e objectivos
deste Acto e desenvolver abordagens comuns à segurança europeia, a OTAN e a
Rússia criariam o Conselho Conjunto Permanente OTAN-Rússia
Que as provisões deste Acto não confeririam à
OTAN ou à Rússia, de qualquer forma, o direito de veto às acções da outra parte
nem afectariam ou restringiriam os direitos da OTAN e da Rússia a decisões ou
acções independentes.
Que a Rússia estabeleceria uma Missão na OTAN,
encabeçada por um representante com a categoria de Embaixador. Fariam parte
desta Missão um alto representante militar e respectivo estado-maior, para fins
de cooperação militar.
Que os Estados membros da OTAN reiteravam que
não tinham a intenção, nem planos, nem motivos para a instalação de armas
nucleares no território dos membros, nem novos nenhuma necessidade de mudança
na atitude nuclear da OTAN ou da sua política nuclear - e não previam qualquer
futura necessidade de o fazerem.
Quando, recentemente, eclodiu a crise que conduziu à invasão da Ucrânia pelo exército da Rússia, foi largamente argumentado que essa atitude teria sido provocada, em grande parte, pela extensão da OTAN aos países que haviam feito parte da ‘esfera de influência’ soviética, entre 1945 e 1991. Poucas opiniões têm recordado o que fora estabelecido, por mútuo acordo, no documento atrás citado, muito especialmente a importância decisiva da democratização da Rússia, que, ao invés, se foi transformando numa ditadura de feição fascista. Ainda assim, não me foi dado ler nenhuma opinião que afirmasse, sem rodeios, que a Europa teria vivido feliz e em paz se a única extensão da OTAN tivesse sido a resultante da unificação da RFA, a que correspondeu a integração na organização do território da antiga RDA (...).
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