Por BARROSO da FONTE
Ocorre-me salientar esta
curiosidade quando acabo de ler dois livros de Poemas de autores Transmontanos:
Flávio Henrique Vara e Elmiro Barbeiro.
Fragmentos de vida são quase 200 páginas ilustradas,
carinhosamente distribuídas, com imagens campestres que o autor selecionou, ao
longo da sua caminhada existencial. A biografia nas abas, com a capa da igreja
Matriz de Lagoaça e, na contracapa, o rio da sua Terra, contemplando a grandeza
das suas margens serranas. Todo o miolo do livro é descrito em verso prosaico.
Armando Palavras que no seu blog tem promovido os autores periféricos, em
testemunho sábio e prudente, afirma que se trata de um livro de memórias
fragmentadas. Nelas o autor reencontra os seus ancestrais em momentos da
meninice e segue ligeiro por várias fases da vida...E se a poesia é uma das
suas paixões, com ela encerra chave de ouro este volume».
«O transmontano insubmisso, que já «suportava mal a carga opressora Salazarista, não aguentou somar a essa ditadura uma outra, demencial que ignorava em Coimbra e se chamava Praxe Académica. Ao 3º ano atreveu-se a escrever um livro onde arrasava os dogmas e as liturgias do ídolo da praxe: - O Espantalho da Praxe Coimbrã». Na sequência desse escândalo no meio estudantil, viu-se forçado a sair de Coimbra, rumando à Universidade de Lisboa, onde concluiu a licenciatura com distinção. Aí defendeu a sua tese Virgílio e a Écloga Portuguesa Quinhentista, trabalho académico que lhe conferiu o «Prémio Professor Simões Neves». Foi aí colocado como docente. Mas, por ter denunciado no Jornal Diário de Lisboa, aquilo que o próprio tratou como «a pornografia académica», acabou por demitir-se da qualidade de docente. Mas como o próprio declara na badana, «de então para cá nunca vendeu a alma ao diabo», Manteve o idealismo e o inconformismo dos verdes anos. E em 2007 publicou o livro «A Bem soada Gente». Mais perto de nós trouxe a público: «A Nata do Povo» que é uma coletânea de sátiras dirigidas aos «barões assinalados» e às conspícuas baronesas da portuga gente que faz parte destes inolvidáveis tempos…
Curioso é o subtítulo: Cantigas
de Despairecer de Escárnio e de maldizer.
Na antologia de Autores
Transmontanos, Durienses da Beira Transmontana (Maio de 2018) escreveu-se que Flávio Vara «é
um escritor primoroso, mordaz, perspicaz e erudito. Zurze em gente sonante da
nossa praça, sem apelo nem agravo. É satírico, e ousado na denúncia dos
disparates que todos os dias acompanham o banquete do país»
São 116 poemas num macio e apetitoso volume
que a Chiado Books pôs em circulação nacional.
Sem comentários:
Enviar um comentário