Por BARROSO da FONTE
Este forneceu
esses primeiros docentes e também os alunos iniciais, que estavam na
dependência de Braga. O edifício fora ofertado à diocese Bracarense pelo padre
João Álvares de Moura, sobrinho de D. Joaquim da Boa Morte, que lhe legou a
Biblioteca e tudo o mais que reforçou o estatuto de Casa do Conhecimento. Mas
dois anos depois, Braga reclamou a propriedade e quer os alunos, quer os
professores foram transferidos para Poiares da Régua. Nesse meio tempo o
Convento de Santa Clara, em Vila Real, foi reestruturado para Escola de
formação, desde os primeiros anos até ao fim das suas vidas.
Em 3/10/1986, onze antigos alunos celebraram, no Cartório Notarial de Vila Real, a escritura da AAASVR (Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Vila Real). Mas somente em 2004 a publicação se fez no Diário da República, III série, nº 51 de 1 de Março desse ano. A 1ª eleição para o mandato de 3 anos (1997-2001) teve como presidente Saavedra da Costa. E, dali em diante, sempre se realizaram eleições, passando a considerar-se marco anual, para confraternização, o dia 18 de Maio de cada ano. Paralelamente os alunos da década de 1950/1960 passaram a criar outro convívio, mais restrito. E, já depois disso, criou-se uma terceira via de confraternização, a pretexto do S. Martinho.
A pandemia
prejudicou esses convívios que, em 25 de Setembro próximo, retomarão a
normalidade, em Castro Daire, pelo facto de o organizador do Encontro deste
ano, José Henrique Ferrador, ali ter fixado residência.
No antepenúltimo
Convívio, em 2018, o José Dias Baptista introduziu no programa a edição do I
volume do Memorial do Seminarista, que o próprio organizou e
mandou publicar em edição digital. A ideia colheu forte adesão. Em 2019 saiu o
segundo volume do Memorial, coordenado por Dias Baptista e inserindo
memórias de 13 antigos seminaristas. Em 2020, devido à pandemia não se realizou
o convívio anual. Este ano, o signatário, através da Editora Cidade Berço,
aceitou o repto do Dias Baptista, que foi o pai da ideia, no sentido de sermos
nós a coordenar o terceiro volume que inclui textos de 12 autores.
Os três volumes do
Memorial do Seminarista têm o mesmo número (196) de páginas, de
formato, de papel. Neste terceiro há romances que se liam clandestinamente,
noite dentro, no dormitório, de quase uma centena de alunos, sob a vigilância
do Prefeito de serviço; há também retalhos, rabeiras e rabiscos, e há fotos,
testemunhos, gracejos e, curiosamente, há fotos e diálogos do saudoso Padre
Max (Maximino Barbosa de Sousa), que foi morto em 3 de Abril de 1976, num
dos mais sangrentos homicídios do pós-revolução de Abril. Esse mártir, que
nasceu em Ribeira de Pena, ingressou em 1955 no Seminário de Vila Real.
Ordenou-se, e durante os primeiros anos, foi uma espécie de coadjutor do Bispo
da Diocese. Só que o rescaldo da revolução dos cravos preparou-lhe um destino aziago.
Refira-se que, em 21 de Abril de 1974, na Igreja de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, o Padre Max batizou a – hoje renomeada escritora – Mafalda Moutinho (www.osprimos.com), filha do nosso ilustre colega seminarista Abel Moutinho. Nesta edição do Memorial mostram-se fotos, manuscritos e diálogos que comprovam a simpatia, a bondade e a camaradagem deste mártir da revolução dos cravos.



Sem comentários:
Enviar um comentário