quinta-feira, 23 de setembro de 2021

“Memorial do Seminarista” invoca Padre Max

 

Por BARROSO da FONTE

No próximo sábado, 25 de Setembro, realiza-se em Castro Daire um convívio de antigos alunos do Seminário de Vila Real, que funcionou entre 1930 e 2005. Esta Instituição foi a primeira a abarcar os vários graus do ensino: primário, secundário e superior no distrito de Vila Real. Nos 75 anos de atividade passaram por aqui 3072 alunos, incluindo praticamente todos aqueles que vieram a ser professores nesse mesmo estabelecimento de ensino. Até aí a diocese de Vila Real estava na dependência de Braga que, em 1921 abriu, em Gralhas, concelho de Montalegre, um mini-seminário.

Este forneceu esses primeiros docentes e também os alunos iniciais, que estavam na dependência de Braga. O edifício fora ofertado à diocese Bracarense pelo padre João Álvares de Moura, sobrinho de D. Joaquim da Boa Morte, que lhe legou a Biblioteca e tudo o mais que reforçou o estatuto de Casa do Conhecimento. Mas dois anos depois, Braga reclamou a propriedade e quer os alunos, quer os professores foram transferidos para Poiares da Régua. Nesse meio tempo o Convento de Santa Clara, em Vila Real, foi reestruturado para Escola de formação, desde os primeiros anos até ao fim das suas vidas.

Em 3/10/1986, onze antigos alunos celebraram, no Cartório Notarial de Vila Real, a escritura da AAASVR (Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Vila Real). Mas somente em 2004 a publicação se fez no Diário da República, III série, nº 51 de 1 de Março desse ano. A 1ª eleição para o mandato de 3 anos (1997-2001) teve como presidente Saavedra da Costa. E, dali em diante, sempre se realizaram eleições, passando a considerar-se marco anual, para confraternização, o dia 18 de Maio de cada ano. Paralelamente os alunos da década de 1950/1960 passaram a criar outro convívio, mais restrito. E, já depois disso, criou-se uma terceira via de confraternização, a pretexto do S. Martinho.


A pandemia prejudicou esses convívios que, em 25 de Setembro próximo, retomarão a normalidade, em Castro Daire, pelo facto de o organizador do Encontro deste ano, José Henrique Ferrador, ali ter fixado residência.

No antepenúltimo Convívio, em 2018, o José Dias Baptista introduziu no programa a edição do I volume do Memorial do Seminarista, que o próprio organizou e mandou publicar em edição digital. A ideia colheu forte adesão. Em 2019 saiu o segundo volume do Memorial, coordenado por Dias Baptista e inserindo memórias de 13 antigos seminaristas. Em 2020, devido à pandemia não se realizou o convívio anual. Este ano, o signatário, através da Editora Cidade Berço, aceitou o repto do Dias Baptista, que foi o pai da ideia, no sentido de sermos nós a coordenar o terceiro volume que inclui textos de 12 autores.

Os três volumes do Memorial do Seminarista têm o mesmo número (196) de páginas, de formato, de papel. Neste terceiro há romances que se liam clandestinamente, noite dentro, no dormitório, de quase uma centena de alunos, sob a vigilância do Prefeito de serviço; há também retalhos, rabeiras e rabiscos, e há fotos, testemunhos, gracejos e, curiosamente, há fotos e diálogos do saudoso Padre Max (Maximino Barbosa de Sousa), que foi morto em 3 de Abril de 1976, num dos mais sangrentos homicídios do pós-revolução de Abril. Esse mártir, que nasceu em Ribeira de Pena, ingressou em 1955 no Seminário de Vila Real. Ordenou-se, e durante os primeiros anos, foi uma espécie de coadjutor do Bispo da Diocese. Só que o rescaldo da revolução dos cravos preparou-lhe um destino aziago.

Refira-se que, em 21 de Abril de 1974, na Igreja de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, o Padre Max batizou a – hoje renomeada escritora – Mafalda Moutinho (www.osprimos.com), filha do nosso ilustre colega seminarista Abel Moutinho. Nesta edição do Memorial mostram-se fotos, manuscritos e diálogos que comprovam a simpatia, a bondade e a camaradagem deste mártir da revolução dos cravos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Os mais lidos