Por
BARROSO da
FONTE
Um fez 90, outro
80 anos. Vasta obra literária. Um e outro sócios fundadores da Academia de
Letras. Ambos docentes e aposentados. Produzindo até à morte.
Hirondino
Fernandes
nasceu no Parâmio, em 7 de Junho de 1931. Gastou uma vida inteira a aprender e
a ensinar. Além de outros temas populares, de etnografia, de
falares e de dizeres. Completou 90 anos dia 7 de Junho. Gastou uma vida inteira
a aprender e a ensinar. Dele falam aqueles que tiveram a sorte de ser seus
alunos e também as Instituições escolares de que foi diretor. E dele restam
para a posteridade os testemunhos registados, com o máximo rigor, os dez
volumes da Bibliografia do Distrito de Bragança.
Além de outros, de
temas populares, de etnografia, de falares e de dizeres. Ainda hoje, no degredo
obrigatório que comprou, para viver os últimos anos da sua vida e de sua
mulher. A certa altura da vida ficou ela totalmente dependente.
O casal deixou
Coimbra, onde se radicara profissionalmente, sem nunca renegar as origens. Na
casa dos 80 anos, compraram uma suite numa instituição de caráter social. A
Senhora ficou totalmente inválida. Sem filhos e sem apoio institucional, o
drama bateu-lhes à porta. Há cerca quatro 6 anos ela faleceu. O marido ficou
só, no espaço a que tinha direito e nas condições acordadas.
O «2º Abade de
Baçal», que a Câmara Municipal apoiou na edição dos vários volumes da sua Bibliografia
do Distrito de Bragança, continuou a escrever.
É um dos mais
laboriosos autores do Nordeste Transmontano.
O isolamento a que
se submeteu com a saída de Coimbra para Bragança, não lhe proporcionou a
vivência que chegou a ter em Coimbra, onde mantém a casa que habitou nos anos
felizes da sua atividade académica.
A sua vasta obra
abrange todas as áreas do saber. Nos nove, dos dez volumes, da BdB, deu
vez e voz a milhares de autores, artistas e figuras de proa. Mas muito poucos
desses famosos, se lembram deste silenciado autor que acaba de completar 90
anos de vida.
Trago este tema à análise
da sociedade Transmontana para me congratular com o gesto cultural e cívico da
Câmara de Macedo de Cavaleiros pela justa deliberação de atribuir à Biblioteca
Municipal o nome de um dos seus mais ilustres filhos: A. M. Pires Cabral.
Apenas soube desta merecida e oportuna decisão Macedense pela Academia de
Letras. O Dr. António Manuel Pires Cabral, nasceu no histórico lugar de Chacim,
em 1941, distrito de Bragança. Licenciou-se em Filologia Germânica e optou pela
docência. Exerceu-a com grande intensidade e fez de Vila Real o quartel Geral
das suas preocupações. Uma diversidade de temas tratados com o rigor científico
que merecem e uma quantidade de títulos: em livro, em separatas e em revistas.
Provavelmente o autor com maior volume de títulos, muitos deles, premiados em
concursos, em projetos coletivos, em antologias.

Para além disso – e sobretudo
por isso – pelas ideias inovadoras que como assessor cultural da Câmara de Vila
Real propôs e liderou, ao longo de vários anos e em mandatos sucessivos. A Câmara
de Vila Real foi modelo nacional. Apostou em estruturas inovadoras, todos os
políticos lhe deram meios que geriram num departamento Municipal que, na
maioria das câmaras municipais, é aproveitado pelo partido vencedor, para fazer
os favores aos às clientelas associativas. Sei do que falo e, sempre denunciei
aqueles que fizeram dos pelouros da cultura, do desporto, do turismo, um saco
azul para engrossar a votação. Afirmo-o aqui e exemplifico com a Câmara de
Guimarães. Durante um quarto de século, a cultura, o paralelo e o alcatrão,
foram «a moeda boa e a moeda má». O líder do partido chegou a ser condecorado
pelo PR, como modelo de autarca e, nos próximos atos eleitorais, essa geração
de políticos, nem precisa de fazer campanha. Vila Real não
passou por esse «calvário democrático». Embora dependente de político do setor,
Pires Cabral geria o orçamento da cultura abstraindo das orientações
partidárias. O Grémio Literário foi um modulo sui generis que pode
servir de modelo a todas as Câmaras do país. Mas a maior parte das autarquias
não larga mão dos pelouros que mais votos rendem: a cultura, o desporto, a imprensa, os serviços sociais,
os paralelos e o betão...
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