Um exemplo
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Foto José Fernandes
Já sabíamos que algo diferente estava a acontecer. Quando o processo de vacinação foi entregue à responsabilidade do Vice-Almirante Gouveia e Melo, mais do que ter entrado nos eixos, todo a dinâmica subiu a um nível de excelência num serviço público, a que infelizmente não estamos habituados.
O artigo do Expresso de hoje confirma isso mesmo. Existe alguém que está a exigir resultados e que está rodeado de gente motivada e capaz de realizar coisas efectivamente benéficas para os portugueses. E sem regatear esforços.
Diferentes forças corporativas já por várias vezes tentaram alterar as prioridades definidas, mas têm esbarrado na saudável ambição de querer fazer as coisas como deve ser.
Quando lhe perguntam como reage aos elogios públicos, Gouveia e Melo concorda que “estamos a vacinar a um ritmo elevadíssimo. Mas eu acho que podemos fazer mais coisas bem feitas.” E acrescenta: “Todos estão a trabalhar que nem leões, mas a minha função é estar permanentemente a empurrá-los. (…) Se uma pessoa dá 10, eu vou pedir 12, se dá 12, vou pedir 14.”
Sobre o facto de ele próprio ainda não ter sido vacinado responde: “Porque a minha faixa etária [60 anos] ainda não fechou. Enquanto não tiver 95% das pessoas neste grupo vacinadas, aguardo.” Como comandante que é, quer ser o último a abandonar o campo de combate e mostra o que é liderar pelo exemplo.
Além de uma indiscutível promoção, o Vice-Almirante merece também uma condecoração do estado português e o reconhecimento público.
Parte do marasmo em que o país vive resulta exactamente da incapacidade que a máquina do estado tem em lidar com atitudes generosas e competentes. Quando expostos lado a lado, os acomodados não conseguem ocultar aquilo que são, mas como são tantos, unem-se na sua mesquinhez e facilmente afastam quem mostra ser brilhante.
Não queria que o país fosse governado por militares, mas teve de ser um militar a lembrar-nos o ponto de mediocridade a que chegámos. A aversão pelo esforço e pelo trabalho está tão enraizada que é normal que uma dirigente política possa afirmar, sem pudor nem consequências, que na escola a diversão é mais importante que a aprendizagem. E também sabemos como lida com as escolas que não alinham nessa cantiga.
E o país, manso e conformado, encaixa a canga sem reclamar.
Mas é possível fazer diferente. Também por nos lembrar disso, ficamos em dívida para com o Vice-Almirante Gouveia e Melo.
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