O Hamas (grupo armado
palestinense), começou a luta contra Israel, lançando 3.150 mísseis sobre
Israel; 460 deles não atingiram Israel caindo na Faixa de Gaza. Deste modo
torna-se mais difícil apurar responsabilidades pelos mortos e estragos nesta
zona. Certo fica apenas que o terror mata israelitas e palestinianos (1).
Segundo o Ministério da Saúde, em Gaza foram mortas 198 pessoas, 1.300 feridas e, além da grande devastação, houve 42.000 palestinenses da Faixa de Gaza que fugiram de suas casas. Israel destruiu 150 km do sistema de túneis palestinenses e outros locais e instalações de produção de raquetes e mísseis. Do lado israelita houve 13 mortos, centenas de feridos e muita devastação.
Estranhamente, os media internacionais
mostraram, sobretudo, os mortos e os prédios destruídos por Israel em Gaza e
ignoram os mortos e os estragos feitos pelos mísseis do Hamas.
As redes sociais continuam a implementar
a tradicional má vontade contra os Judeus (2). Porém, nem o cultivo da
guerrilha islâmica nem a afirmação de um culto de vítima por parte do judaísmo
favorecem a paz!
O embaixador israelita em Portugal
afirmou no Público (21.05.2021):” infelizmente, a esquerda radical
europeia transformou-se na leal companheira do Islão radical… A coligação verde
e vermelha, que detém uma influência real nos media, promove a agenda de
elementos radicais islamitas na Europa e faz perigar todas as fundações das
sociedades livres.”
Na Alemanha, o antissemitismo aumenta de
forma violenta. Por vezes tem-se a impressão que a praça pública se torna em
palco onde se procuram motivos para odiar. É um facto injusto que o Estado
de Israel ocupe territórios conquistados que ao abrigo do direito internacional
não lhe pertencem. Atendendo, porém, à relação de conflito hostil entre as partes,
territórios ocupados, como os Montes Golan (Síria), são os postos avançados da
defesa estratégica da existência do Estado de Israel. De recordar que 9
milhões de habitantes de Israel se encontram rodeados de 300 milhões de árabes.
Donde vem o perigo?
Por todo o lado está presente o
terrorismo islâmico ou a sua pressão. A grande ameaça à paz não será
Israel, mas sim o Hamas na Palestina, a ISIS islâmica na Síria, o Hezbollah no
Líbano; a Irmandade islâmica no Egipto, o Boko Haram e ramificações do Alcaide
em outras zonas de África e a pressão islamista na Europa.
O conflito não terá solução, devido aos
interesses estratégicos das potências internacionais e ao antagonismo entre
xiitas e sunitas e à aliança da esquerda internacional com os movimentos revolucionários
e terroristas muçulmanos. No terreno confrontam-se também, de um lado, os
interesses árabes e, do outro, o terrorismo Jihad islâmico patrocinado
especialmente pelo Irão e Turquia, povos não árabes. O conflito
político-cultural entre Judeus e árabes toma a agravante islamista que alarga a
inimizade a povos não árabes.
Curiosamente, “nem um
só governo árabe condenou unilateralmente Israel” (HNA 22.05.2021).
Hamas é uma organização terrorista que,
“em 2007, tomou o poder em Gaza por golpe militar, assassinando os seus irmãos
da facção Fatah, da Autoridade Palestiniana”. A Carta do Hamas (artigo
13) é explícita:” ... soluções pacíficas...estão em contradição com os
princípios do movimento da resistência islâmica... Não há solução... excepto
através da jihad”.
Perante isto, Golda Meir constatava: “se
os palestinianos desistirem da guerra, a guerra acaba, se os israelitas
pousarem as armas, Israel desaparece do mapa… A paz só virá quando os árabes
amarem os seus filhos mais do que odeiam os nossos”. Hamas é internacionalmente
tida como uma organização terrorista fascista que reproduz as políticas do Irão
contra Israel. À sombra de tudo isto vive a indústria da guerra e os “capitães”
civis à frente de um povo que querem transformado em suas “brigadas” ; assim o
terrorismo vai vivendo à custa de conflitos.
O cessar-fogo
O acordo do cessar-fogo deveu-se às
fortes perdas sofridas pelo Hamas. Israel tem um armamento sofisticado e
conduz, uma guerra assimétrica contra adversários que usam civis como escudos;
por seu lado, Israel planeia os ataques de maneira, possivelmente, a não
destruir mesquitas, hospitais, escolas e lares porque infringiria a lei marcial
internacional e geralmente avisa antes de bombardear casas que alberguem
armamento, para que a população se proteja (3).
O Conflito é
intercultural
O Conflito
intercultural entre a cultura ocidental e a cultura muçulmana ganha expressão
simbólica no choque entre israelitas e palestinenses. Tem-se a impressão que as
forças islâmicas, apoiadas sobretudo pela esquerda internacional e grupos
islâmicos do Ocidente, vão ganhando terreno e adiando a história de povos na
esperança que chegue o seu momento para estabelecerem um Estado policial.
O sistema tribal da guerrilha, como se
observa especialmente em África, parece querer transformar-se no meio de
combate mais apropriado para minar sociedades contemporâneas. Sociedades, em
que a colonização histórica interna não se realizara ou fora impedida, estão
hoje mais votadas à violência interna, também pelo facto de a “colonização”
externa (interesses económicos e de estratégica política de potências
estrangeiras) operar como factor desestabilizador apoiando grupos internos
rivais (lutas pela hegemonia entre tribos ou grupos regionais)!
Israel já ofereceu por mais de dez vezes
a criação de um Estado Palestino, contudo a liderança palestina, fiel ao seu
programa, disse sempre que não.
Causa estranheza o facto de, sendo muito
embora Israel um país democrata, e apesar da situação ser muito complexa, as
redes sociais e, em especial, muitos activistas estarem a solidarizar-se
unilateralmente com a ‘ditadura’/ ‘terrorismo’ /’resistência’ do Hamas. Existe
sofrimento e injustiça de ambos os lados.
A questão palestinense é demasiado
complexa para poder ser reduzida a um pró ou a um contra uma das partes do
conflito. Existem muitas perguntas que não podem resumir-se a uma só posição.
Factos complexos tornam-se irreconhecíveis. Duas coisas estão em jogo: os
interesses de Israel e os interesses do Islão.
O caminho para a paz teria que começar
por pacificar as ideologias políticas e religiosas doutro modo continuaremos,
de um lado e do outro, a ser promotores de guerra e não de paz.
António CD Justo
FONTE: Notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6540



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