quinta-feira, 20 de maio de 2021

Morreu o capitão «Fittipaldi das Chaimites»

Ataque aos Ralis, 11 de Março de 1975.


Por BARROSO da FONTE


«Este capitão de Abril, alcunhado de “Fittipaldi das Chaimites” que aparece, com as chaimites, em assembleias de trabalhadores e em manifestações. Comandou as tropas no RALIS, em Lisboa, na resposta ao golpe do 11 de março de 1975. Morreu num Domingo, vítima de covid-19,disse à Lusa o presidente da Associação 25 de Abril.

A notícia sobre a morte de Diniz de Almeida foi avançada no Facebook por outro militar de Abril, Duran Clemente, e mais tarde confirmada por Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril».

De Diniz Almeida lembro a enorme participação no dia 25 de Abril [de 1974] e o seu envolvimento intenso, nem sempre muito consensual, em todo o processo revolucionário”, disse Vasco Lourenço.

Eduardo Diniz de Almeida nasceu em Lisboa em 7 de julho de 1944, integrou o Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura em 1974, e tornou-se um dos rostos militares associados ao PREC – Processo Revolucionário em Curso.

Para a história, ficarão as imagens de uma reportagem da RTP, em 11 de Março, o golpe de direita organizado pelo general António de Spínola, e em que Diniz de Almeida, então com 30 anos, dialoga com as forças de paraquedistas que cercaram o Regimento de Artilharia Ligeira, também conhecido por RALIS, sobrevoado por aviões da Força Aérea, às portas de Lisboa.

Nesse dia, em que morreu um soldado e vários ficaram feridos, é Diniz de Almeida que surge publicamente como o comandante vitorioso e é a seguir a esta tentativa de golpe que surgem as nacionalizações, da banca, dos seguros, e avança a Reforma Agrária, no Alentejo e Ribatejo.

Foi também, pela primeira e única vez que os soldados fizeram um juramento de bandeira revolucionário, de braço estendido e punho cerrado, em que juram pela pátria e prometem estar "sempre, sempre" ao lado do povo e da classe operária, “pela democracia e poder para o povo, pela vitória da revolução socialista”.

 Foi também no RALIS que foram recebidos o filósofo Jean Paul Sartre e Serge July, diretor do Liberation.

Diniz de Almeida foi chamado ao Palácio de Belém pelo Presidente da República, Costa Gomes, e ali detido, no dia 26 de novembro. Enfrentou vários processos disciplinares, de que saiu ilibado, e passou à reserva com a patente de major.

Depois da vida militar, licenciou-se em psicologia clínica.

Em tempo:  houve muitos familiares que foram proibidos de ver e de assistir ao enterro dos seus entes queridos, à medida que iam morrendo com  o covid-19. «Alguns nem puderam ser sepultados nos cemitérios das suas terras. Mas este revolucionário foi exceção em tudo, tendo morrido com o Covid-19: velório na Basílica da Estrela e funeral para o Alto de S. João no dia seguinte. E, possivelmente, com a Bandeira Portuguesa a cobrir-lhe o corpo…

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