![]() |
Por BARROSO da FONTE
A notícia sobre a morte de Diniz de Almeida foi avançada no Facebook por
outro militar de Abril, Duran Clemente, e mais tarde confirmada por Vasco
Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril».
De
Diniz Almeida lembro a enorme participação no dia 25 de Abril [de 1974] e o seu
envolvimento intenso, nem sempre muito consensual, em todo o processo
revolucionário”, disse Vasco
Lourenço.
Eduardo Diniz de Almeida nasceu em Lisboa em 7 de julho de 1944, integrou
o Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura em 1974, e
tornou-se um dos rostos militares associados ao PREC – Processo Revolucionário
em Curso.
Para a história, ficarão as imagens de uma reportagem da RTP, em 11 de
Março, o golpe de direita organizado pelo general António de Spínola, e em que
Diniz de Almeida, então com 30 anos, dialoga com as forças de paraquedistas que
cercaram o Regimento de Artilharia Ligeira, também conhecido por RALIS,
sobrevoado por aviões da Força Aérea, às portas de Lisboa.
Nesse dia, em que morreu um soldado e vários ficaram feridos, é Diniz de
Almeida que surge publicamente como o comandante vitorioso e é a seguir a esta
tentativa de golpe que surgem as nacionalizações, da banca, dos seguros, e
avança a Reforma Agrária, no Alentejo e Ribatejo.
Foi também, pela primeira e única vez que os soldados fizeram um
juramento de bandeira revolucionário, de braço estendido e punho cerrado, em
que juram pela pátria e prometem estar "sempre, sempre" ao lado do
povo e da classe operária, “pela democracia e poder para o povo, pela vitória
da revolução socialista”.
Diniz de Almeida foi chamado ao Palácio de Belém pelo Presidente da
República, Costa Gomes, e ali detido, no dia 26 de novembro. Enfrentou vários
processos disciplinares, de que saiu ilibado, e passou à reserva com a patente
de major.
Depois da vida militar, licenciou-se em psicologia clínica.
Em tempo: houve muitos familiares que foram proibidos de ver e de assistir ao enterro dos seus entes queridos, à medida que iam morrendo com o covid-19. «Alguns nem puderam ser sepultados nos cemitérios das suas terras. Mas este revolucionário foi exceção em tudo, tendo morrido com o Covid-19: velório na Basílica da Estrela e funeral para o Alto de S. João no dia seguinte. E, possivelmente, com a Bandeira Portuguesa a cobrir-lhe o corpo…




Sem comentários:
Enviar um comentário