· por BARROSO DA FONTE - A VOZ de TRÁS-OS-MONTES
A qualidade da democracia Portuguesa mediu-se pelo nível da pandemia que
banalizou a campanha eleitoral, deixando a sociedade civil em estado de pânico
Este ato eleitoral constituiu uma soberana ocasião para reduzir os
políticos profissionais à sua dimensão terrena. De quatro em quatro anos, ou de
cinco em cinco, como foi o caso deste último dia 24, o país assistiu a uma
sonolência coletiva. O país vive quase anestesiado, vigiado por todos os lados,
aturdido pelas televisões e telemóveis que alegram as crianças, mas assustam os
adultos pela incerteza do dia seguinte.
Só os corruptos e os fora-da-lei gostam desta sonolência, porque os prazos
avançam a seu favor, as cadeias estão a abarrotar, os hospitais cheios como
ovos e os técnicos de saúde que aguentem todas as arbitrariedades, todos os
atropelos, todas as aldrabices que os políticos invocam sem que tenham a
coragem de assumir.
Depois do 24 de janeiro último, Portugal deixou cair a máscara. E essa
máscara caiu de podre. Mais parece um sinal extraterrestre, para não dizer
quase divino, porque Deus não se mete em mexericos.
A campanha eleitoral foi um desastre: seis contra um. Uma vergonha! Esse um
valeu por todos. A chamada esquerda e extrema esquerda, levou um banho de
«quarentena». A voz do povo que, por tradição, se diz «ser a voz de deus»
varreu essa estardalhada comicieira que tivemos de «gramar» nas televisões, nas
rádios e redes sociais. A contrabandista e a senhora da Ladeira deixaram cair o
verniz.
Os três mosqueteiros, coitados, levaram a cruz ao calvário com pólvora
seca. Todos bem comportadinhos, deram o litro em nome de ideais
fantasmagóricos.
O aventurado guerrilheiro da tauromaquia moderna passeou-se na arena. Protagonizou todas as piruetas tauromáquicas. E deixou bem claro: venceu a extrema esquerda, a esquerda tradicional e alguns socialistas desalinhados. Preveniu a esquerda democrática e o centro da direita convencional de que nos próximos combates o seu partido tem uma palavra a ouvir-se.
Fui dos primeiros jornalistas a discordar da proteção que Marcelo deu a
António Costa. Cheguei a prometer a mim mesmo que não voltaria a dar-lhe o meu
voto. Cinco anos depois quebrei a minha jura, perante o vazio, os insultos e o
oportunismo da embaixadora que andou aos ziguezagues ideológicos para tanta
incoerência intelectual.
Passada esta pasmaceira que a pandemia mais endureceu, assinalo os 68 anos
de iniciação ao jornalismo neste mesmo semanário, pela mão do ex-pároco da Sé
Henrique Maria dos Santos. Foi em 24 de janeiro de 1953.



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