sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

«Quem me dera cá o tempo - Antologia da Maria Castanha»


JORGE  LAGE
O Projecto editorial da Castanha com mais de 20 anos tem feito um percurso de progressão em qualidade, ao ponto de nos últimos dois anos ajudar a vir a público livros de outros escritores de inegável qualidade. Comungo da ideia de forte pendor cristão e civilizacional que, enquanto andamos neste mundo, devemos ser úteis aos que connosco se cruzam ou batem à porta. Não é mais que um dar e receber. Só que comigo sou sempre o beneficiado, porque quanto mais dou, ao serviço público e aos amigos, acabo por receber em troca muito mais. O pouco sucesso de escrita e de investigação têm grande cota parte os amigos generosos. Chegados aqui, volto a trazer à lavra a Antologia da Maria Castanha, Projecto que congrega mais de 80 escritores que abordam os mais variados temas castanhícolas. Depois, a preocupação centrada no leitor, razão última de qualquer livro, levou-me a apontar para textos próximos de uma página A4. Assim, qualquer um que adquira o livro pode, de quando em vez, guiar-se pelo «Índice» e escolher o texto que preferir ou fechar o livro e sonhar ou recordar outros tempos, mais parcos, mas felizes. Estando o povo português a passar por tempos difíceis entendi reduzir aos preços dos livros em 50%, tal como faz a maioria do comércio nacional. 

Os meus livros, estão disponíveis na livraria Cristina (junto à Ponte Velha - Mirandela) ao preço máximo de 10 €, o que me parece um preço simpático. Sobre o livro em si, como objecto, que se recebe nas mãos, que se apalpa e acaricia, que se aspira o odor inconfundível e os olhos fazem uma viagem pelas 240 páginas, com mais de meia centena de imagens, muitas inéditas, dizia-me o académico mirandês, António Bárbolo Alves, «acabo de receber o livro. Ainda não o li. Mas folheei-o. E não posso deixar de te dar os parabéns por este excelente objeto estético que demonstra a tua grande sabedoria e sensibilidade. (…) porque os olhos e o tacto também são importantes, a casca da castanha demonstra que estamos perante um produto de excepção». Opor sua vez, o advogado cosmopolita, António Correia, de Resende e com residências na sua terra, em Lisboa, no Brasil e em Macau se pronunciou sobre a Antologia nestes termos: «Já vou a metade da sua obra e a outra metade será degustada hoje. Estou a deliciar-me com a altíssima qualidade literária e o manancial informativo que supre a minha ignorância. Parabéns pela excelência do seu trabalho de pesquisa e capacidade organizativa e de mobilização». Contudo, há pessoas que criticam tudo e todos e se não houver quem criticam-se a eles próprios. Também, este não foi um Projecto centrado em cérebros da ribalta, rejeitamo-los, preferimos gente trabalhadora e simples que se uniu para em conjunto elevar um produto de excelência do mundo rural, a castanha. Para que as lavras de letras que chegam ao leitor sejam acessíveis e nos levem a todos a olhar mais para a castanha nacional (a melhor do mundo). Porque a castanha ao longo de milénios e séculos e no presente tem feito mais pelo mundo rural do que os políticos de promessas vãs.

 In: Notícias de Mirandela

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