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| JORGE LAGE |
O Projecto editorial da
Castanha com mais de 20 anos tem feito um percurso de progressão em qualidade,
ao ponto de nos últimos dois anos ajudar a vir a público livros de outros
escritores de inegável qualidade. Comungo da ideia de forte pendor cristão e
civilizacional que, enquanto andamos neste mundo, devemos ser úteis aos que
connosco se cruzam ou batem à porta. Não é mais que um dar e receber. Só que
comigo sou sempre o beneficiado, porque quanto mais dou, ao serviço público e
aos amigos, acabo por receber em troca muito mais. O pouco sucesso de escrita e
de investigação têm grande cota parte os amigos generosos. Chegados aqui, volto
a trazer à lavra a Antologia da Maria Castanha, Projecto que congrega mais de
80 escritores que abordam os mais variados temas castanhícolas. Depois, a
preocupação centrada no leitor, razão última de qualquer livro, levou-me a
apontar para textos próximos de uma página A4. Assim, qualquer um que adquira o
livro pode, de quando em vez, guiar-se pelo «Índice» e escolher o texto que
preferir ou fechar o livro e sonhar ou recordar outros tempos, mais parcos, mas
felizes. Estando o povo português a passar por tempos difíceis entendi reduzir
aos preços dos livros em 50%, tal como faz a maioria do comércio nacional.
Os
meus livros, estão disponíveis na livraria Cristina (junto à Ponte Velha -
Mirandela) ao preço máximo de 10 €, o que me parece um preço simpático. Sobre o
livro em si, como objecto, que se recebe nas mãos, que se apalpa e acaricia,
que se aspira o odor inconfundível e os olhos fazem uma viagem pelas 240
páginas, com mais de meia centena de imagens, muitas inéditas, dizia-me o
académico mirandês, António Bárbolo Alves, «acabo de receber o livro. Ainda não
o li. Mas folheei-o. E não posso deixar de te dar os parabéns por este
excelente objeto estético que demonstra a tua grande sabedoria e sensibilidade.
(…) porque os olhos e o tacto também são importantes, a casca da castanha
demonstra que estamos perante um produto de excepção». Opor sua vez, o advogado
cosmopolita, António Correia, de Resende e com residências na sua terra, em
Lisboa, no Brasil e em Macau se pronunciou sobre a Antologia nestes termos: «Já
vou a metade da sua obra e a outra metade será degustada hoje. Estou a
deliciar-me com a altíssima qualidade literária e o manancial informativo que
supre a minha ignorância. Parabéns pela excelência do seu trabalho de pesquisa
e capacidade organizativa e de mobilização». Contudo, há pessoas que criticam
tudo e todos e se não houver quem criticam-se a eles próprios. Também, este não
foi um Projecto centrado em cérebros da ribalta, rejeitamo-los, preferimos
gente trabalhadora e simples que se uniu para em conjunto elevar um produto de
excelência do mundo rural, a castanha. Para que as lavras de letras que chegam
ao leitor sejam acessíveis e nos levem a todos a olhar mais para a castanha
nacional (a melhor do mundo). Porque a castanha ao longo de milénios e séculos
e no presente tem feito mais pelo mundo rural do que os políticos de promessas
vãs.
In: Notícias de Mirandela


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