"Temo este desenrascanço nacional, não
vai ser bom sinal para a vacinação"
Roque da Cunha defende que o Governo deve admitir que não tem condições para cumprir com o pagamento de prémios aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde. À TSF, o líder sindical critica também o otimismo do Governo em relação ao plano de vacinação contra a Covid-19.
© Artur Machado / Global Imagens
PorInês André Figueiredo com Gonçalo Teles
06 Dezembro, 2020 • 23:07
Responsabilidade em vez de propaganda. É
este o pedido que o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM),
Roque da Cunha, faz ao Governo em relação ao plano de vacinação contra a
Covid-19. O dirigente sublinha o que aconteceu com a vacina da gripe e, por
isso mesmo, alerta para a falta de capacidade dos centros de saúde para colocar
em prática a vacinação dos portugueses.
Roque da Cunha diz-se "farto"
do otimismo do Governo e acusa-o de "propaganda".
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Em declarações à TSF, Roque da Cunha
sublinha que "numa situação em que nem sequer disponibilizaram vacinas da
gripe" e quando os centros de saúde "estão sobre uma pressão
imensa" e a precisar de acompanhar os doentes, "estamos a ser muito
otimistas" ao afirmar que é possível vacinar "três, quatro ou nove
milhões de pessoas".
"Estou farto que este Governo seja não só otimista, mas esteja irresponsavelmente a pensar na questão da propaganda", critica o dirigente do SIM, que se revela também contra a opção do executivo de tirar "três mil médicos dos cuidados de saúde primários para fazer telefonemas e estar nas áreas dedicadas à Covid-19".
O secretário-geral do Sindicato
Independente dos Médicos teme mesmo que, em comparação com as estratégias dos
outros países, Portugal não esteja preparado.
"Sabemos que outros países com
muito maiores meios e capacidades de organização já estão a fazer centros de
vacinação e a colocar as Forças Armadas na logística", assinala. "Temo
este desenrascanço nacional, não vai ser bom sinal para a vacinação."
O decreto-lei do Governo sobre as
compensações para profissionais de Saúde também é alvo das críticas do SIM por
entender que há discriminações e que os critérios são restritivos e abrangem
apenas dez mil trabalhadores de um universo de 130 mil, algo que tem criado
revolta no setor.
"Temo este
desenrascanço nacional, não vai ser bom sinal para a vacinação"
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O Governo "não só contraria o
que o SIM entendia que era a interpretação de a todos os profissionais"
como aplicou critérios "altamente restritivos e na prática
cumulativos", algo que se traduz em ter "numa mão coisa nenhuma e
noutra nada".
Roque da Cunha entende que, em vez de
"propagandear este prémio", o Governo deveria "por a mão na consciência"
e assumir que não tem condições "para cumprir o que o Parlamento
ordenou".
O Parlamento decidiu, por unanimidade,
dar uma compensação aos profissionais de saúde em dias de férias e compensação
de salários durante o estado de emergência. O prémio, explica Roque da
Cunha, "só contempla pessoas que estiveram continuamente nos
Cuidados Intensivos, sete dias seguidos ou 30 dias em 45", algo que diz
ser "uma coisa impossível", devido à necessidade de descansar e
folgar.
SIM estima que 120 mil
profissionais de saúde fiquem fora da compensação.
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Assim, de 130 mil profissionais do SNS,
o número de contemplados "não ultrapassaria os 10 mil", excluindo
cerca de 120 mil, algo que "só vai aumentar confusão e
desmotivação dos profissionais".
No final de contas, diz Roque da Cunha,
esta é uma situação de "desconsideração perante os profissionais de
saúde".
"É mais uma atitude que registamos,
mas os portugueses podem contar connosco", garante.
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