por BARROSO DA FONTE – A Voz de Trás-os-Montes
Escrevo este observatório quinzenal, em cinco andamentos.
Por cada herói surgem três esbirros que podem traduzir-se por uma sondagem
sociológica, em tempo de pandemia.
Primeiro tempo: à hora em que redijo, nas margens do rio Tejo, um cidadão,
de 65 anos cai e por algum tempo fica a boiar. Um pai de 37 anos, natural de
Cabo Verde, que levava pela mão um filho de 7, 8 anos, diz ao filho: - fica
aqui com a minha roupa que eu vou salvar aquele senhor.
Saltou, correu até ao náufrago, arrastou-o para a margem e, com um segundo
salvador, recuperam o acidentado cidadão.
Logo depois, o canal CM mostrou todo esse acidente e entrevista o pai
e o filho.
-Você foi um herói.
- Fiz aquilo que devia fazer...
Questionado, o filho respondeu: - o meu Pai foi muito
corajoso...
Segundo: Seixas da Costa, na «opinião» do dia 9, que assina no JN, na 2ª
página, desenvolveu o binómio: «Vergonha e pânico».
- «Sinto vergonha ao constatar» no caso de Tancos. «Já havia sentido
vergonha – vergonha maior, porque estava (eu) no Governo - ao constatar que uma
querela envolvendo governantes, deputados e jornalistas, tinha fragilizado
fortemente os serviços de informação...»
Terceiro: um «botão de pânico» ...se tivesse existido no tempo do
assassinato do cidadão ucraniano, seria por este «facilmente» utilizável...»
Quarto: «sinto hoje vergonha, - insiste o ex-embaixador Seixas da Costa -
quando constato a complacência objetiva, perante atos de racismo e de violência
que, ciclicamente, teimam em manchar a imagem da nossa política, transformando
uma esquadra que deve ser um espaço de segurança, num local perigoso para a
integridade de alguns – quer se trate de bandidos ou de meros suspeitos».
Quinto: José Sócrates, que teve a seus pés toda a comunicação do país, enquanto foi primeiro ministro e que (até) teve uma refeição pública com o Procurador Geral da República do seu tempo, antes de ser preso, continua na sua fresca ribeira, com todos os privilégios, como se nada fosse com ele, continua a ter as portas abertas dos jornais. No JN de 11 do corrente mês, teve meia página desse órgão para agrilhoar alguns políticos da oposição ao seu governo que comentaram os vários desaires das PPP. Pôde mencionar uma boa dúzia deles e afirmar que «o processo é agora público. Dez anos depois, pergunto-me se o jornalismo português, que durante tanto tempo foi enganado com a história da corrupção, tem agora alguma razão para que, no que diz respeito à gestão danosa, não estará, de novo, a acontecer o mesmo».


Ó Sr .Doutor, há jornalistas que lhes convém fazerem-se de enganados... é muito mais confortável e ainda se ganhará algum, e vai andando enquanto o pau vai e vem!
ResponderEliminarEu já não leio os jornais. Quando quero saber como vai a "bolsa" das notícias e as verdades sobre como vai o "Mundo", basta-me ir ali aos blogs "Delito de Opinião" e "Corta-Fitas", tirando mais um ou outro e lá sempre aparecem uns jornalistas da velha guarda que nos elucidam, quer chova quer neva ... !
Faltam tantos nomes , ainda, aqui nos cinco "observatórios" do Senhor