![]() |
| Virgilio Gomes |
Quando soube que havia um restaurante cujo produto principal é a chamuça fiquei imediatamente curioso, especialmente para compreender como se faz uma refeição em variações de chamuças. Habituámo-nos a que as chamuças são uma entrada, ou um petisco.
O país que mais gostei de conhecer no mundo foi a Índia. Provei várias e esforço-me sempre por saber algo mais sobre o que como. E alguém me terá informado de que as chamuças terão vindo do Império Persa há muitos séculos. Para começar, devo desde já informar que o primeiro teste de avaliação de uma chamuça começa pela massa externa e depois o equilíbrio com o recheio e o tempo de fritura para que a sua massa fique estaladiça. Segundo “A Historical Dictionary of Indian Food”, de K. T. Achaya, Oxford India Paperbacks, 2002, a samõsa é um snack frito, consistindo num tostado, triangular camada de massa de trigo envolvente recheada de carne com especiarias ou vegetais. Refere ainda que já no século XIV as chamuças faziam parte da dieta alimentar da aristocracia muçulmana de Delhi. Meio século depois, Ibn Battuta chama-lhes samusak, e descreve-as como fina peças de carne cozinhadas com amêndoas, nozes, pistaches, cebola e especiarias, colocadas dentro de um envelope de massa de trigo e fritas em «ghee». Ghee era uma famosa manteiga que antigamente se fazia a partir de leite de búfala. Parece que terá sido um alimento popular, mas o seu recheio seria enriquecido quando servido nas cortes reais. Quem quiser saber um pouco mais encontra um texto muito bom em “The Oxford Companion to Food” de Alain Davidson, editado por Tom Jaine, 2014, na Oxford University Press.


Sem comentários:
Enviar um comentário