sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Conversas de Viagens: Do Nordeste Transmontano para a Lusofonia


Conversas de Viagens: Do Nordeste Transmontano para a Lusofonia

   de Elmiro Barbeiro

por BARROSO da FONTE


Os livros são como as mulheres, olham-se, admiram-se e, se puderem pôr a mão, já não se perde tempo. Rodeado deste espécime privilegiado, dia após dia, invariável se me tornou a sorte de receber novos livros sempre que o carteiro chega. Este ritmo habituou-me à escolha pela qualidade da embalagem, pelo título e até pela endereço do remetente. Se chega de uma livraria, torna-se mais fácil a meia dúzia de linhas para justificar a capa e o entrecho.  Os editores ou livreiros, sabendo que as redações não dispõem de recensores profissionais, já anexam uma sinopse que dá suporte à capa e é isso o que autor pretende: que se fale desse livro. Aqueles que chegam embrulhados em papel reciclado, tosco ou  de ocasião, trazem um ar distante, menos formal e com aspeto rural. São esses que mais curiosidade prenunciam e me levam a leituras imediatas. Habituei-me a este pragmatismo, nos anos sessenta/setenta, quando colaborava nos saudosos  cadernos ou suplementos literários, como tinham: o Diário de Notícias, o Primeiro de Janeiro, o Século ilustrado e outros de referência nacional.

Ocorre-me na tarde em que me chegam «Conversas de Viagens – contos,  histórias e poemas». Em 150 páginas confirma-se que temos nas mãos uma espécie de antologia autobiográfica, carta de apresentação, ou, como o prefaciador Armando Palavras lhe chama: "um livro de memórias fragmentárias". Essas memórias começam com o nascimento do autor em Lagoaça, do concelho de Freixo de Espada à Cinta, onde faz a 4ª classe, passa pelo Seminário Missionário, sai por falta de vocação, tal como Torga que sai do colégio de Lamego para  marçano no Porto e dali para o Brasil. Pelo mesmo trajeto virtual seguiu Elmiro Barbeiro até à capital do Norte. Só que este Lagoense que também não gostou da marcenaria, optou por ingressar no Externato de Carviçais por dois anos. O curso Geral de Comércio obteve-o em Bragança. Com ele feito pôde ser Furriel Miliciano, em Tavira e,  mais tarde, mobilizado para a Guiné, integrado numa companhia militar.

Regressa, e ingressa na banca, terminando a carreira como Diretor bancário. Uma biografia muito bem concebida, em linguagem clara, frontal e sem rodeios. Um exemplo de vida, a retratar o quadro das famílias tradicionais, num país em busca da  sua emancipação social, cultural e política. Em prosa, verso, imagem e em grandeza orográfica.

  Barroso da Fonte

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Tintim traduzido para mirandês.

 

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