domingo, 4 de outubro de 2020

Guida Maria: «Irrita-me a mediocridade»

 Quem fala assim... (16)

Guida Maria: «Irrita-me a mediocridade»

por Pedro Correia, em 03.10.20 - DELITO de OPINIÃO

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«O meu maior pesadelo é ter de aturar estes gajos todos que falam nas televisões e só dizem mentiras em que o povo continua a acreditar»

 

Foi uma das mulheres mais atraentes que conheci. E era uma actriz muito talentosa, tanto no drama como na comédia. No dia em que a entrevistei, sublinhou várias respostas com gargalhadas contagiantes. Assim lembrarei sempre a bela Guida Maria, falecida cedo de mais, a 2 de Janeiro de 2018. Deixou saudades.

 

Tem medo de quê?

De tudo aquilo que não controlo.

Gostaria de viver num hotel?

Não. Preferia antes viver numa casa minha mas tendo os funcionários que costumo encontrar num hotel.

A sua bebida preferida?

Água - da torneira, de preferência. Sou totalmente abstémia.

Que número calça?

Calçava 36. Mas já vou no 37,5.

Que livro anda a ler?

Ando a ler o último livro do Miguel Sousa Tavares, o Rio das Flores.

E que tal?

Estou a gostar bastante. É completamente diferente do Equador, de que também gostei. Admiro a escrita do Miguel Sousa Tavares: mal começamos a entrar num livro dele, não conseguimos parar.

A sua personagem de ficção preferida?

Talvez as personagens das Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Gosto muitos dos livros dela, sobretudo dos primeiros.

Rir é o melhor remédio?

Com certeza. Devemos passar tudo a desenho animado ou ao registo Monty Python. Seja com quem for, seja sobre o que for.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzida?

Não gosto nada de conduzir. E cada vez tenho mais medo de ir no carro com outros a conduzir.

É bom transgredir os limites?

É a melhor coisa que há.

Qual é o seu prato favorito?

Sou um óptimo garfo. Gosto de tudo quanto seja leve - feijoada, cozido à portuguesa... Só não como nouvelle cuisine. Detesto pagar para ter fome.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

Acho que são todos.

A sua cor preferida?

Normalmente é o preto.

Costuma cantar no duche?

Não. Porque tenho dó dos vizinhos. Não canto em sítio nenhum.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não. Apesar de tudo, é um marco para os portugueses. E até o acho bonito.

Com que figura pública gostaria de jantar?

Com o [Francesco] Alberoni. Sou fã dos livros dele.

As aparências iludem?

Infelizmente, cada vez mais. Mas só iludem se uma pessoa não estiver atenta.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Leggings. Uso-as há 30 anos. Voltaram agora a estar na moda.

Qual é o seu maior sonho?

Já os tive, mas acordei antes de os realizar.

E o maior pesadelo?

Ter de aturar estes gajos todos que falam nas televisões e só dizem mentiras em que o povo continua a acreditar.

O que a irrita profundamente?

A estupidez e a mediocridade.

Qual a melhor forma de relaxar?

Emigrarmos todos.

O que faria se fosse milionária?

Comprava este país, dava uma indemnização a toda a gente que quisesse ir embora, fechava-o para obras e tentava fazer um país mais apetecível.

Casamentos gay: de acordo?

Não tenho o direito de me pronunciar. A vida é de cada um.

Um homem bonito?

Sou profundamente vulgar. O George Clooney enche-me as medidas.

Acredita no paraíso?

Não.

Tem um lema?

Entrar e sair de qualquer sítio sempre de cabeça levantada.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (3 de Maio de 2008)

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