Mário Adão Magalhães
Jornalista
|
A cada dia o português
acorda a ver qual a instituição ou personalidade que nesse dia está a ser alvo
de alguma diligência legal.
Agora tocou no intocável.
Os juízes desembragadores Vaz das Neves, Rui Gonçalves e Orlando Nascimento, do
Tribunal da Relação de Lisboa, são alvo de processos disciplinares instaurados
pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM) suspeitos de influências,
ilegalidades várias, como abuso de poder.
Toda a gente preocupada
num repente com a injustiça mensurando que é cega. Todos ficaram agora
preocupados com a visão da injustiça onde vemos ao mais alto nível, como se vê
lá no alto.
As mais altas entidades e
instituições têm aberto bem os olhos para habilidades sacrossantas que são a
sina deste paísito-à-beira-mar-muito-mal-plantado.
Não são só de agora. Não
pensemos que são. Agora é que a mediatização é maior – muito mais ampla e
imediata, ainda que alguns destes agentes aproveitem em seu favor esta
mediatização.
Nos tempos da outra
senhora estas coisas também aconteciam. Só que, já se vê, não constavam, mas o
cidadão nem sequer acreditava.
Hoje em conversa
convergimos nesta pluralidade: não acreditávamos que o senhor juíz, o senhor
advogado, o senhor mais ou menos influente:
– Ahhh! Não…!!! Não fez
isso.
Ainda verbalizámos que
actualmente as classes sociais só se diferenciam em casa, dabaixo das telhas,
porque no meio ou local onde nos encontramos, temos ao nosso pé o mais distinto
indivíduo. Distinto, no sentido de ter uma actividade mais “elitizada”. Porque
de resto qualquer indivíduo da nossa classe socializada é igual a qualquer um
de nós. Um drogado, um bêbado, um marginal nas mais diversas ramificações está
no nosso meio.
Nós vemos isso a todo o
momento. A tal mediatização dá nota que o cívico é um delinquente mais
primário, toda uma sorte desta ou daquelas classes…
Agora, acordamos agora,
para que a justiça não é cega (porque deixa cair a venda): nunca foi. Sempre
viu demais. Só que para disfarçar coloca uma venda.
PS – Não podia ter melhor
ilustração: depois deste artigo pronto, o país acorda com a Comunicação Social
a dar nota a esmo das mais diversas desgraças, desde a justiça ao catedrático
futebol, à política nacional como autárquica. A sacrossantisse.
(Não pratico
deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)
Sem comentários:
Enviar um comentário