| ANTÓNIO MAGALHÃES ( Em Sheffield ) |
Os corruptos
Do estudo feito saiu uma conclusão,
Somos um país pioneiro
Na arte malabarista da corrupção,
Contornando a lei com o poder do dinheiro.
O povo reclama, mas é porreiro.
Corruptos, mas exigem muito respeito,
Desviam dinheiro com grande habilidade,
Muitos são crentes e batem com a mão no peito,
Mas não são crentes de verdade.
Dá-lhes jeito essa falsa santidade.
Têm grandes cargos estes figurões,
Artistas de um raro talento em enganar,
Livres da justiça porque levam milhões,
E porque para ser malandro é preciso saber roubar,
Exímios em nunca se deixarem apanhar.
Falsos hipócritas e sem personalidade,
Impostores de se lhes tirar o chapéu,
Convictos na mentira como verdade,
Têm muito dinheiro, mas não é seu,
Acreditam que foi a sorte que Deus lhes deu.
São ladrões muito cuidadosos,
Insignes de uma rara notabilidade,
Falam e quando falam são mentirosos,
Negam aquilo que todos sabem ser verdade.
É essa a sua grande capacidade.
Tanta riqueza, tanto dinheiro e tantos valores,
Compram tudo, até mesmo a justiça,
Mas não passam de uns impostores,
Que procuram perdão quando vão à missa,
Um dia serão vítimas da própria cobiça.
São dominados pela sua enorme ganância,
Ganância sem quaisquer limitações,
Luxos e mordomias em abundância,
Porque roubam aos milhões.
O pobre governa-se com tostões.
Posso, quero, faço e mando,
É tudo feito a meu bel-prazer,
O povo reclama, mas é brando,
Exalta-se de vez em quando,
Embalam-no e depressa se deixa adormecer.
(Possivelmente Poemas)

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