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| José Veríssimo |
Em Lagoaça o primeiro dia do ano celebra-se com a primeira
feira do ano e com a festa do “Santo Menino”. A manhã começa com um peditório
porta a porta. Ao toque de uma campainha, que sinaliza a sua presença, membros
da comissão fabriqueira percorrem as casas da aldeia e questionam os donos, se
não querem dar uma esmola para o “Santo Menino” e em agradecimento pela
oferenda, retribuem com um – o Santo Menino lhes deia o pago.
Noutros tempos a maioria das esmolas provinha de peças de
fumeiro ou de carne salgada, na atualidade o dinheiro é senhor. A recolha do peditório é leiloada depois da missa, com
procissão em volta da igreja, e o resultado do leilão reverte à comissão fabriqueira[1], para fazer
face às despesas de manutenção da igreja.
O dia, o peditório, o toque da
campainha, o tipo de dádivas e o “Menino”, que dos santos da igreja se diz ser
o único inteiro[2],
convidam-nos a refletir se não estaremos ante reminiscências de uma festividade
pagã. O facto de o Santo Menino ser aquele a quem as mulheres da aldeia
costumam recorrer quando existem complicações relacionadas com a fertilidade, é
mais um motivo para acreditar que terá existido algo mais anterior ao
cristianismo.

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