Em Março de 2017 saiu a primeira edição deste livro
de Henry Morse Stephens, docente da Universidade da Califórnia (mais um
estrangeiro a dedicar-se ao estudo da História Portuguesa). Em Fevereiro de 2019
saiu a quarta edição.
É mais uma síntese notável sobre a épica lusitana,
desde os primórdios até, mais ou menos aos dias de hoje. Da consolidação da
independência, passando pelo período heróico dos Descobrimentos e a criação de
um império global, pelas navegações em África, na Índia, no Próximo Oriente e
no Brasil, culminando no período de declínio, iniciado na fatídica batalha de
Alcácer Quibir e se prolonga mais ou menos até aos nossos dias, iluminado com
alguns lampejos de uma glória fugaz, aqui e ali.
Ao conhecimento comum acrescenta dados que estavam
obscuros. Afonso Henriques é tratado como um dos grandes heróis medievais (da Península
Ibérica, o maior) da Europa. Com a força combatente, a sabedoria administrativa
(apoiado pelos mais próximos, como São Teotónio, o primeiro santo português),
soube granjear o respeito de toda a Europa. Também lhe coube a fortuna, mas foi
perspicaz na análise dos acontecimentos e na estratégia adoptada em relação aos
sultões e Emires Mouros. Mas o papel de seu pai e de sua mãe, contribuiu muito
para solidificar a independência desse então pequeno condado.
Na época do Descobrimentos Henry Morse Stephens
destaca a visão estratégica dos principais dirigentes do reino e o insuperável
heroísmo dos navegadores que trouxeram glória e poder à alma lusa.
A perda da independência e as suas consequências é a
fase mais negra da História desta pequena geografia europeia.
Uma bela narrativa, escrita por um conhecedor.
Como é que uma nação com estes pergaminhos e esta grandiosidade, caso
único na história europeia, enveredou, a dado passo, por um caminho de bancarrotas e corrupção, das
quais dificilmente se irá livrar?
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