
Os Analectos compilam os principais aforismos
atribuídos a Confúcio (séculos VI-V a. C.). Mas, na verdade, não são. O próprio
Confúcio diria que se dedicara a compilar os clássicos! Contudo, para a
tradição chinesa funcionam como a Bíblia hebraico-cristã para a tradição
ocidental.
Ainda hoje são considerados, na China, como o único
registo fiável dos ensinamentos de Confúcio. Como Sócrates no Ocidente,
Confúcio nada escreveu, e os Analectos foram coligidos, depois da sua
morte, pelos seus discípulos. Realçam todo um conjunto de preceitos de
comportamento individuais, sociais e políticos.
Esta tradição grandiosa de pensamento, inaugurada no
Oriente por Confúcio, surgia ao mesmo tempo que no Ocidente, na Grécia, nascia
o ideal filosófico de saber.
Leibniz, um filósofo fascinado pela singularidade
dessa tradição, chamou-lhe no séc. XVIII a “teologia natural” dos chineses. Mas
nada mais “errado”. O pensamento confuciano não se eleva a altas concepções
metafisicas. Ocupa-se da personalidade humana, isenta de abstracções. É uma
atitude realista perante a vida; a sua moral é positivista, sem teologia.
Defende o ideal do dever; uma doutrina de bom senso, prático e real, do justo
meio, o médio dourado, lembrando Aristóteles, ou a aurea mediocritas dos
latinos.
A influência das ideias reunidas neste livro foi tal
que o confucionismo acabaria por ser adoptado, no século III d. C., como
pensamento oficial do Império.
Já conhecíamos algumas edições menores. Em 2017 saiu
a edição mais completa (2 volumes) em língua portuguesa, editada pela Levoir, traduzida
pela Unesp (Brasil) a partir do chinês pelo diplomata Giorgio Senedino. Segue a
tradição chinesa – traduz os aforismos seguidos de comentário.
Recentemente (2019) saiu uma nova edição original da
Presença. Uma edição ilustrada por C.C.TSAI, um dos maiores ilustradores da
Ásia. É também, um grande cartoonista. Poderemos mesmo dizer que é uma edição em
banda desenhada. Muito bela.
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