domingo, 7 de julho de 2019

Os Analectos - Confúcio


 Os Analectos compilam os principais aforismos atribuídos a Confúcio (séculos VI-V a. C.). Mas, na verdade, não são. O próprio Confúcio diria que se dedicara a compilar os clássicos! Contudo, para a tradição chinesa funcionam como a Bíblia hebraico-cristã para a tradição ocidental.
Ainda hoje são considerados, na China, como o único registo fiável dos ensinamentos de Confúcio. Como Sócrates no Ocidente, Confúcio nada escreveu, e os Analectos foram coligidos, depois da sua morte, pelos seus discípulos. Realçam todo um conjunto de preceitos de comportamento individuais, sociais e políticos.
Esta tradição grandiosa de pensamento, inaugurada no Oriente por Confúcio, surgia ao mesmo tempo que no Ocidente, na Grécia, nascia o ideal filosófico de saber.
Leibniz, um filósofo fascinado pela singularidade dessa tradição, chamou-lhe no séc. XVIII a “teologia natural” dos chineses. Mas nada mais “errado”. O pensamento confuciano não se eleva a altas concepções metafisicas. Ocupa-se da personalidade humana, isenta de abstracções. É uma atitude realista perante a vida; a sua moral é positivista, sem teologia. Defende o ideal do dever; uma doutrina de bom senso, prático e real, do justo meio, o médio dourado, lembrando Aristóteles, ou a aurea mediocritas dos latinos.
A influência das ideias reunidas neste livro foi tal que o confucionismo acabaria por ser adoptado, no século III d. C., como pensamento oficial do Império.
Já conhecíamos algumas edições menores. Em 2017 saiu a edição mais completa (2 volumes) em língua portuguesa, editada pela Levoir, traduzida pela Unesp (Brasil) a partir do chinês pelo diplomata Giorgio Senedino. Segue a tradição chinesa – traduz os aforismos seguidos de comentário.
Recentemente (2019) saiu uma nova edição original da Presença. Uma edição ilustrada por C.C.TSAI, um dos maiores ilustradores da Ásia. É também, um grande cartoonista. Poderemos mesmo dizer que é uma edição em banda desenhada. Muito bela.

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