![]() |
| RUI RAMOS OBSERVADOR |
(...)" Em
Portugal, o poder público está capturado por uma massa indefinida de interesses
corporativos e privados, que submetem os serviços às suas conveniências. O
actual governo é o menos capaz para enfrentar e corrigir essa desordem.
Em primeiro lugar,
porque tem à sua frente alguém que os portugueses, em 2015, rejeitaram
claramente quando o seu partido o propôs como “candidato a primeiro-ministro”.
A derrota deixou António Costa dependente de toda a espécie de boas vontades
para chegar ao poder, a começar pela dos seus parceiros parlamentares, que
precisamente fazem lobby por alguns dos maiores grupos profissionais e
corporativos instalados no Estado. Manter esses e outros grupos satisfeitos é a
chave da sua sobrevivência.
Em segundo lugar,
porque este governo é, no fundo, o regresso dos indivíduos e das equipas que,
sob António Guterres e depois sob José Sócrates, governaram o país durante a
maior parte das últimas décadas e criaram e promoveram os interesses anichados
em todo o lado, da banca às PPP, como é o caso da concessionária do SIRESP
(António Costa é, precisamente, o homem do SIRESP). Como pode o criador, sem se
negar, destruir as criaturas?
Este governo pouco
mais é do que uma comissão de gestão da massa falida de vinte anos de regime,
que a política monetária do BCE e o acaso feliz do turismo vão, por enquanto,
mantendo à tona. Por isso, como já foi notado, só parece funcionar quando as
notícias são “positivas” e há coisas para distribuir. Aos primeiros reveses da
sorte, ei-lo a fazer angustiados testes de popularidade. Enfim, ainda não
sabemos quando isto vai acabar, mas já sabemos como vai acabar."
Rui Ramos, Observador
(o titulo é de inteira responsabilidade de quem dirige este blogue)


Sem comentários:
Enviar um comentário