quarta-feira, 3 de julho de 2019

O usurpador !


RUI     RAMOS
OBSERVADOR

(...)" Em Portugal, o poder público está capturado por uma massa indefinida de interesses corporativos e privados, que submetem os serviços às suas conveniências. O actual governo é o menos capaz para enfrentar e corrigir essa desordem.
Em primeiro lugar, porque tem à sua frente alguém que os portugueses, em 2015, rejeitaram claramente quando o seu partido o propôs como “candidato a primeiro-ministro”. A derrota deixou António Costa dependente de toda a espécie de boas vontades para chegar ao poder, a começar pela dos seus parceiros parlamentares, que precisamente fazem lobby por alguns dos maiores grupos profissionais e corporativos instalados no Estado. Manter esses e outros grupos satisfeitos é a chave da sua sobrevivência.
Em segundo lugar, porque este governo é, no fundo, o regresso dos indivíduos e das equipas que, sob António Guterres e depois sob José Sócrates, governaram o país durante a maior parte das últimas décadas e criaram e promoveram os interesses anichados em todo o lado, da banca às PPP, como é o caso da concessionária do SIRESP (António Costa é, precisamente, o homem do SIRESP). Como pode o criador, sem se negar, destruir as criaturas?
Este governo pouco mais é do que uma comissão de gestão da massa falida de vinte anos de regime, que a política monetária do BCE e o acaso feliz do turismo vão, por enquanto, mantendo à tona. Por isso, como já foi notado, só parece funcionar quando as notícias são “positivas” e há coisas para distribuir. Aos primeiros reveses da sorte, ei-lo a fazer angustiados testes de popularidade. Enfim, ainda não sabemos quando isto vai acabar, mas já sabemos como vai acabar."               
Rui Ramos, Observador
(o titulo é de inteira responsabilidade de quem dirige este blogue)

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