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| José verissímo |
O enxertador era o mago portador da técnica da
multiplicação que permitia unir plantas distintas de modo a formar uma só,
portadora de caraterísticas previamente selecionadas.
Existem duas técnicas com
diferentes processos de aplicação:
De borbulha[1], na
primavera ou no verão, quando a casca se separa com facilidade do entre casco[2] ou de prumo[3]: para
espécies de folha caduca quando a planta ainda está em repouso vegetativo,
antes do início da rebentação e no final do inverno devido à ação da geada. Na
vinha entre Março e Abril em Lagoaça (Os prumos eram geralmente guardados num
local escuro para atrasar o desenvolvimento da gema); para espécies de folha
persistente, dependendo das espécies, na primavera, no verão e no outono.
O condicionalismo climático (a
geada) e a lua (na união do enxerto) e o cuidado com a cobertura dos prumos
podem interferir com o sucesso da operação.
No caso da vinha, principal
fonte de trabalho para o enxertador, o processo foi alterado depois da epidemia
da “filoxera”[4],
passando o bacelo a ser de origem americano por ser resistente à picada do
inseto. A falta de enxertadores para satisfazer a procura e a diminuição do
numero de falhas, originaram a generalização de plantas previamente enxertas e
enraizadas, deixando de se plantar o bacelo[5] no campo,
ainda que segundo pontos de vista mais conservadores se afiance que a vinha
enxerta no campo tem maior longevidade e resistência à seca.
Como com ouras profissões, em
Lagoaça já não existem enxertadores especializados. Dos últimos três conhecidos
na década de setenta/ oitenta do século passado[6], ainda
existe um com idade avançado e incapacitado, é o ti Abílio Horta
"Delgado". Os outros dois foram o Abílio Barros "Majarico"
e o António Lucindo “Toninho Rompe”[7].
A propósito do saudoso
“Toninho”, circulava na aldeia uma anedota interessante. Um dos irmãos querendo
enaltecer as qualidades de enxertador do Toninho dizia:
-O nosso Toninho enxertou uma figueira de tão
boa qualidade que este ano deu uma brêba[8] tão grande
que dela comemos todos e no á´cabamos!
- A moda pegou nas gentes da aldeia e quando a
hipérbole assume certas proporções, costuma dizer-se:
Parece a breba
do "Rompe".
[6] Atendendo à elevada quantidade
de vinha existente, por vezes recorria-se a enxertadores de Freixo e de
Masouco.


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