
BARROSO da FONTE
Rui Ramos, historiador, que em 2009 coordenou um volume de quase mil
páginas,
da História de Portugal, vem impondo a sua coerência histórica e o seu
rigor como analista da situação política em Portugal.
da História de Portugal, vem impondo a sua coerência histórica e o seu
rigor como analista da situação política em Portugal.
É hoje um opinador respeitado e interveniente no elenco do «Observador».
O blogue” Tempo caminhado” cita-o como moderador residente e, em horas mais
indecisas sobre, se sim ou não devo abordar matéria da cariz político: eis-me a
citá-lo, sem reservas.
Em 2 do corrente, caraterizou a atual situação, na figura do «usurpador».
Ei-lo:
“O poder público está capturado por uma massa indefinida de interesses
corporativos e privados, que submetem os serviços às suas conveniências. O
atual Governo é o menos capaz para enfrentar e corrigir essa desordem.
Em primeiro lugar, porque tem à sua frente alguém que os portugueses, em
2015, rejeitaram claramente quando o seu partido o propôs como “candidato a
primeiro-ministro”. A derrota deixou António Costa dependente de toda a espécie
de boas vontades para chegar ao poder, a começar pela dos seus parceiros
parlamentares, que precisamente fazem lobby por alguns dos maiores grupos
profissionais e corporativos instalados no Estado. Manter esses e outros grupos
satisfeitos é a chave da sua sobrevivência.
"O poder público está capturado por uma massa indefinida de interesses
corporativos e privados, que submetem os serviços às suas conveniências."
Em segundo lugar, porque este Governo é, no fundo, o regresso dos
indivíduos e das equipas que, sob António Guterres e depois sob José Sócrates,
governaram o país durante a maior parte das últimas décadas e criaram e
promoveram os interesses anichados em todo o lado, da banca às PPP, como é o caso
da concessionária do SIRESP (António Costa é, precisamente, o homem do SIRESP).
Como pode o criador, sem se negar, destruir as criaturas?
Este Governo pouco mais é do que uma comissão de gestão da massa falida de
vinte anos de regime, que a política monetária do BCE e o acaso feliz do
turismo vão, por enquanto, mantendo à tona. Por isso, como já foi notado, só
parece funcionar quando as notícias são “positivas” e há coisas para
distribuir. Aos primeiros reveses da sorte, ei-lo a fazer angustiados testes de
popularidade. Enfim, ainda não sabemos quando isto vai acabar, mas já sabemos
como vai acabar.” Rui Ramos.
Eu não escreveria melhor nem tão acertadamente, para avaliar a tensão ao
estado de saúde do País. País que ainda não teve senso para acertar o dia
«Um de Portugal» e o dia do nascimento do seu Fundador, nosso primeiro Rei. No
dia em que escrevo esta nota de leitura, os Estados Unidos da América, guardam
feriado nacional, para celebrar o dia da sua Independência. É uma nação jovem
que poderia ser neta ou bisneta de Portugal. Mesmo assim guardam um feriado
nacional para dizer ao mundo inteiro que os USA são uma grande nação.
Lamentavelmente sabe-se que Portugal nasceu em 24 de junho de 1128 e que o
seu fundador veio ao mundo em 25 de julho. Mas nem uma data nem outra mereceram
do poder político ou académico coragem para cantar os parabéns a você.

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