| António Magalhães |
O
festival teve a participação de vários escritores, poetas, comentadores,
historiadores e pesquisadores, e os temas variaram entre política a poesia,
história a temas atuais, comédia ao crime, e até humor. Enfim, um pouco de tudo
para todos os gostos.
De
entre os participantes contou-se com a presença de novos talentos da literatura
britânica e de autores consagrados internacionalmente, alguns dos quais
protagonistas de best-sellers traduzidos em várias línguas.
Na
impossibilidade de nomear toda a gente porque a lista é extensa, destacamos
aqui alguns nomes que lhe poderão ser familiares.
Louis
de Berniers, provavelmente bem mais conhecido pelo seu best-seller
internacional publicado em 1994, “Captain Corelli’s Mandolin”, (O Bandolim do
Capitão Corelli) que foi posteriormente adaptado ao cinema.
Elif
Shafak, ativista dos direitos das mulheres, direitos das minorias e da
liberdade de expressão, tem nacionalidade Britânica, mas é de origem Turca.
Publicou 17 livros, uns em turco outros em inglês, e foi traduzida em 49
línguas. A sua lista de prémios e distinções internacionais é extensa. Alguns
dos seus romances, “O Escondido”, “Espelhos da cidade”, “A bastarda de
Istambul”, e “As quarenta regras do amor”, foram sempre grandes sucessos de vendas.
Maggie
Gee, em 1983 foi uma das seis mulheres, entre outras vinte, na lista do Granta
best of young British novelists. Maggie publicou vários romances, entre os
quais, “Virginia Wolf em Manhattan”, “A minha empregada”, e “A corrida de
Escorpião”. Maggie Gee recebeu entre outros prémios o prestigiado
“International Dublin award”.
Terry
Waite, é um humanitário e autor inglês que tem uma história incrível, mas que
por motivos óbvios não nos é possível aqui pormenorizar muito. Foi assistente
do Arcebispo de Canterbury nos anos 80, e uma espécie de emissário para a
Igreja de Inglaterra, (Church of England), negociando vários reféns em
diferentes partes do globo e quatro reféns no Líbano, incluindo o jornalista
John McCarthy. Terry Waite viria a ser feito refém também, onde esteve em
cativeiro por cerca de 4 anos. Depois de ser libertado escreveu um livro acerca
das suas experiências em cativeiro e envolveu-se em trabalhos de humanismo e
caridade. Ao longo dos anos tem publicado vários livros, “Viagens com um
primata”, “A sabedoria dos Salmos” entre muitos outros.
Estes foram alguns dos nomes presentes no
festival literário de Buckingham, além de Luke Jennings, autor e jornalista, ex.
dançarino da Rambert Scholl, estudante de línguas Indianas e produtor televisivo,
publicou vários livros entre os quais, “Codename Villanelle”, e “Killing Eve”.
Ainda Fanny Blake, freelance jornalista e escritora, publicou entre outros
livros, “With a friend like you” e “A Summer reunion”.
Felipe
Fernandez-Armesto, historiador Britânico com vários livros publicados, filho de
um bem conhecido jornalista espanhol com o mesmo nome e mãe inglesa, Betty
Millan de Fernandez Armesto, nasceu em Londres e tem passado uma grande parte
da sua carreira a ensinar na universidade de Oxford.
Julie
Summers, autora do livro Jambusters, uma história que inspirou o drama
televisivo da estação ITV em 2015 e que teve grande sucesso, com o nome, Home
Fires, e que se baseia no Instituto das mulheres depois da segunda guerra
mundial. Julie Summers é também autora de “Quando a criança veio para casa” e
“Estranho na casa”.
Outros
nomes como Leslie Cavendish, além de ter ficado famoso por ter sido o
cabeleireiro dos Beatles, também publicou alguns livros dedicados ao tema da
profissão que exerceu durante muitos anos. Outros nomes como Kathy Slack, Harry Baker, Georgina
Godwin e Euan Cameron etc. etc.
Fui
convidado para este evento por um amigo que também ele fora convidado por um
outro seu amigo, pessoa ligada à publicação de livros numa das maiores editoras
de Londres.
Apresentei-me
no evento como Colunista do Bom dia Luxemburgo e colaborador do
blogue, Tempo Caminhado.
Ao
contrário do que é costume não me levantei muito cedo no domingo de manhã. Ao
contrário do que também é costume, tive dificuldades em me levantar da cama. Na
noite anterior, enquanto tentava chegar a termos com a minha regular insónia,
companhia quase assídua em todas as noites, que por razões laborais passo longe
da família, procurando técnicas e meios de a embalar, repentinamente surgiu-me
uma ideia…” porque choram os recém-nascidos”. A ideia surgiu-me tão absurda e
tão invulgar que não hesitei em saltar da cama desgrudando-me sem delongas da
minha insónia, acendi a luz, e liguei novamente o portátil para registar em
palavras escritas a ideia.
Entre
registar os contornos principais da ideia para mais tarde ser concluída,
desligar o portátil, voltar à cama e finalmente vencer a minha batalha com a
minha insónia, por exaustão, pelo menos até à noite seguinte, passavam das quatro
da madrugada. De maneiras que quando soou o alarme às nove da manhã lá tive que
travar nova batalha, desta vez com o meu sono pesado, (farto-me de lutar comigo
e contra mim mesmo)
Depois
de um pequeno almoço que inclui sempre um café bem forte, meti-me ao caminho
para Buckingham. Apesar de não ser cedo, não havia pressa uma vez que o mesmo
só começava às 10,30 e eu estou apenas a cerca de 30 minutos da bonita,
acolhedora e típica vila de Buckingham.
O
sol veio cedo visitar a ilha. Quando o faz, descai sobre a paisagem verdejante
como quem beija a terra, e o perfume que a vegetação propaga, apesar do calor
que não é intenso, mas sim agradável, mantém uma atmosfera fresca, como um
sopro de vida a quem ninguém fica indiferente.
Os
caminhos da também pequena cidade onde me encontro até ao festival, são
caminhos rurais, onde, já descrito, em dias de sol o brilho que contrasta com a
vegetação que ladeia a estrada de um e de outro lado, os campos cobertos de
verde, até onde a vista não pode mais alcançar, e aqui e ali uma ou outra casa,
às vezes um pequeno aglomerada delas, fazem-me lembrar uma espécie de postal
ilustrado.
O
festival literário teve lugar em diferentes edifícios da universidade de
Buckingham. Encontrei-me com o meu amigo, e o amigo dele, no Radcliffe Center
onde havia uma palestra com Susannha Stapleton e a apresentação do seu livro,
Maud West, London’s Detective, fruto de uma extensa pesquisa, porque é essa uma
das principais razões da escrita de Susannha nos últimos cerca de vinte anos.
Como
disse, este livro é baseado em factos verídicos fruto da extensa pesquiza de
Susannha Stapleton acerca de mulheres detetives particulares em Londres,
centrando a história em Maud West que dirigiu uma agência de detetives privados
em Londres a partir do ano de 1905 e durante 30 anos. O livro mistura ficção
com factos reais e é praticamente impossível distinguir entre uns e outros.
Além disso há factos bastante curiosos neste livro, baseados em realidade e que
de certa maneira justificam a existência de tantos detetives particulares numa
época de ouro do crime, muito embora, em casos de crimes mais sérios os
detetives particulares tinham como é obvio certas limitações de poder, tendo
que, a determinada altura das suas investigações entregar o caso à polícia,
neste caso a Scotland yard que era quem tinha uma unidade bastante forte e
especializada em casos mais sérios. Mas nessa altura, para se ganhar um
divórcio por exemplo, havia que provar primeiro o adultério. Um dos motivos,
mas não só, pela qual Maud West arranjou alguns dos seus trabalhos de detetive
privada.
Foi
o tipo de palestra que me agradou imenso uma vez que durante uma época da minha
vida fui um apaixonada por este tipo de literatura policial, nomeadamente nas
obras de Ágata Christie, Conan Doyle com Sherlock Holmes e Perry Mason.
Com
um excelente painel de escritores poetas e historiadores, este festival, não
teve em minha opinião, e em opinião de outras pessoas com quem falei e que
também o visitaram, a aderência que os nomes fortes da literatura britânica
mereciam. Os meios de divulgação e promoção do festival precisam ser revistos e
melhorados.
De
qualquer maneira valeu a pena, e para o ano há mais do que motivos para
voltar.
Nota final:
António Magalhães
colabora connosco há cerca de 2 meses. E dá-nos um enorme prazer que assim
seja, porque é um português da diáspora e é Colunista no Bom
dia Luxemburgo. E poder no futuro haver relações de
amizade e contactos com escritores da diáspora é, para nós, um privilégio.
Daqui vai o nosso abraço
fraterno e transmontano para António Magalhães e para os seus colegas do Bom
Dia Luxemburgo.


Sem comentários:
Enviar um comentário