sábado, 9 de abril de 2016

Cronologia Histórica atormenta os políticos que temos

Batalha de Ourique

BARROSO da FONTE
Relativamente aos feriados nacionais é uma questão de cultura. Quer o (s) governo(s) anterior(es) quer o atual, deveriam repensar a cronologia da História de Portugal. E obter de um grupo de Historiadores sérios e isentos, uma graduação da sua importância historiográfica. A começar pela 1ª Batalha que ditou aquela frase lapidar:«Naquela tarde de 24 de Junho de 1128 nos Campos de S. Mamede viveu-se a primeira tarde Portuguesa». O reconhecimento da independência do Rei de Portugal, apenas foi feito em 1179. Mas o 24 de Junho, em S. Mamede, quer queiram quer não queiram, deveria ser o dia de aniversário da Pátria Portuguesa. Em vez de ser feriado municipal (nalgumas cidades por ser dia de S. João), esse - sim - deveria ser o dia principal ou dia fundamental, como se vangloriou o atual primeiro Ministro. É tudo uma questão de (in) cultura e de partidarismo. Ora a História deve reger-se por quem sabe e por quem coloca os interesses nacionais acima dos partidários. No 1º de Dezembro de 1640, apenas e só, foi restaurada a História de Portugal . Tinha-se perdido a soberania, durante o jugo Filipino. Foi bom retomar a independência. Mas não foi mais importante do que a de Ourique (25/7/1139) ou de Aljubarrota (Agosto de 1385). Apenas se restaura aquilo que já existiu. Se já existira, é porque houve uma primeira data. E essa sim - foi o ponto de partida para dezenas de outras datas que Portugal travou, dentro e fora de fronteiras nos 888 anos que, entretanto decorreram. Pessoalmente comemoro e orgulho-me do 1º de Dezembro de 1640. Na década de oitenta/noventa do século XX, na qualidade de vereador da Cultura, na Câmara de Guimarães (a única do país que celebra no dia 24 de Junho, o seu feriado municipal) escrevi o texto, que, ano a ano, era lido, no Altar da Pátria, cerca da meia-noite, junto à Estátua de D. Afonso Henriques. Esse texto foi sempre lido perante a multidão que desfilava pelas ruas Históricas, atrás da Fanfarra. Sinal de que respeito e propago esse simbolismo restaurador. Não tendo nascido, mas vivendo em Guimarães desde 1975, sempre tive discernimento bastante para graduar a importância dos feriados nacionais. Como jornalista profissional, ainda nas vésperas do último 1º de Dezembro e antes da votação na Assembleia da República, alertei na imprensa para que os Deputados (todos eles) não cometessem um erro maior do que aquele que pretendiam anular. De nada valeu o meu alerta. E por isso, irritado fiquei, quando, António Costa, veio proclamar a grande vitória que prometeu na campanha. Nem assim ganhou as eleições. Teve de rastejar até ao Bloco de esquerda para cantar vitória. Que fique claro que a Vitória Parlamentar dessa votação é do tamanho da ignorância que prevaleceu contra a verdade científica. Quem me contestar deverá refletir neste logro em que permanece o espírito de quem pratica o jogo do «quanto pior melhor» ou estoutro «baralhar para confundir e reinar».
 Não é de estranhar que com o rodar dos anos se esqueçam datas, episódios, personagens deste ou daquele conflito. À medida em que os anos passam esses pormenores diluem-se porque o cérebro é o mais perfeito dos computadores mais sofisticados. Mas também falham. Ora a História de Portugal é a mais elementar gramática da cultura Portuguesa. E essa deve manter-se viva, ativa e atuante, tal como a Constituição da República que – essa sim – é a Lei fundamental da democracia. Ora os deputados têm o dever de zelar pelo rigor histórico. Tal como invocam a lei fundamental da democracia para levarem a água ao seu moinho, também devem ter, na ponta da língua, a História de Portugal, desde 1128 até ao presente. São 888 anos. Lamentavelmente todos lutam para chegar ao Parlamento. Mas uma vez eleitos e no exercício das suas funções, julgam-se detentores da verdade absoluta. Debitam argumentos sem consistência. E, sem prepararem a matéria, reavivando a memória, debitam palavras e induções inconsistentes que, muitas vezes conduzem ao fracasso absoluto.
EGAS MONIZ
 Aquilo que se viu e ouviu na sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, com António Costa aos abraços ao anfitrião da Casa, dão para perceber o vazio cultural de quem nos governa. Antes dele já José Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS, dentro e fora do Parlamento, gerou um movimento, em torno do 1º de Dezembro de 1640, ignorando 522 anos da História de Portugal. Isto é: apenas se cuidou do telhado da casa. Quem colocou o telhado não reparou que faltavam os alicerces e os muros. Com esta metáfora fazem crer que Portugal começou a existir, em Dezembro de 1640. Subtraíram 522 anos à História Lusa, exatamente a época da consolidação e dos Descobrimentos.
Em 2009 viveu-se um cisma histórico com a celebração dos nove séculos do nascimento do nosso Fundador, em Viseu. Até a Academia Portuguesa de História tentou queimar os manuais escolares, trocando a tradição de Guimarães, pela «pátria distrital» do autor dessa «inventona».  Em 2016 roubam-se 522 anos à verdadeira data da Fundação de Portugal. Mais um cisma histórico. Quando e qual teremos o terceiro?
                                                                    Barroso da Fonte

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