sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Até sempre senhor engenheiro.

Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra. 

Razão tenho para me queixar do mês de Janeiro que não desiste de me dar desgostos, foi o Padre Guedes, e agora o Eng. Tomás do Espírito Santo, ainda parentes entre si. Natural de Vila Real, onde nasceu a 30 de Dezembro de 1922, este insigne transmontano faleceu em Lisboa no passado dia 19.
 Licenciou-se em Ciências Matemáticas, em Ciências Geofísicas, sendo Eng. Geógrafo pela Faculdade de Ciências de Lisboa. Nesta condição foi Chefe do Serviço de Previsão do tempo e director do serviço de Exploração Meteorológica. Nesta actividade trabalhou nos aeroportos de Lisboa , Santa Maria e Lourenço Marques (Maputo). Um amigo que fui ontem, dia 21, visitar numa capela mortuária da igreja de São João de Deus, onde foi celebrante monsenhor José Rafael Espírito Santo, vigário regional do Opus Dei, em Portugal, e filho dilecto do saudoso falecido.
Foi governador civil de Vila Real e deputado à Assembleia da Republica. Das muitas funções que desempenhou recordamos que foi “Representante de Portugal junto da Organização Meteorológica Mundial (Permanente), Presidente da Comissão nacional do Ano Europeu do Ambiente, membro da Secção Permanente do Conselho Superior da Ciência e Tecnologia (19871991); Delegado do Ministério da Qualidade de Vida na Comissão Portuguesa de Oceanologia (1984/87), membro da Comissão Nacional do Programa "O Homem e a Biosfera" e Director da Comissão Cultural Luso Americana”.  Também como regionalista serviu Trás-os - Montes e Alto Douro, partindo do labor com que na nossa Casa Regional deu muito do seu tempo, na condição de sócio e dirigente fervoroso. Também por  isso a CTMD se fez representar pelos seus corpos gerentes  e com a bandeira que a meia haste se manteve junto da urna desde as 16h00 do dia 21 até às 12h30 do dia 22, final da missa concelebrada a que presidiu Mons. Espirito Santo
Na ciência  tornou-se um profissional competente e interessado no estudo e investigação, o que lhe valeu as muitas condecorações nacionais e internacionais com foi agraciado. Também como cristão generoso e disponível este cidadão deixou rasto. A noticia que recolhi do Centro de Orientação Familiar (CENOFA) é bem elucidativa: “Ontem (19/01/2016) faleceu o nosso estimado Dr. Tomás Espírito Santo, que muitos conhecemos apenas como Engº Espírito Santo, juntando-se no Céu à sua querida esposa Carmelinda. Foram sempre uma casal exemplar, na serenidade, cumplicidade e amor forte. Muitos dos que puderam ter a sorte de acompanhar o Cenofa dos primeiros tempos, lembram-se seguramente da graça tranquila que corria no olhar e palavras do casal Espírito Santo. Também uma generosidade e uma alegria únicas que só podem ter a sua explicação em corações iluminados por uma Fé profundamente vivida “.
Tive a honra de tê-lo por amigo e de com ele passar bons momentos. Foi primeiro na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, e mais tarde em retiros e convívios que fizemos ambos. Mas já antes, era ele governador civil, o tinha por meu leitor de escritos que lhe enviava para Vila Real; só que não nos conhecíamos pessoalmente. Quando mais tarde, na Casa de Trás os Montes nos conhecemos, tornamo-nos amigos, mas sem nunca  abordar águas passadas, ou que desse a entender que fosse eu o tal remetente das noticias que mandava sobre Mondim. Assim mantive esse anonimatos durante alguns anos, até que um dia. a caminho Fátima, veio à baila a Senhora da Graça, e acontece que a certa altura lembrou-se  dizer: "quando era governador civil costumava receber jornais que alem com o seu apelido enviava, ainda por lá tenho alguns desses jornais em casa". Calei-me, mas não consegui conter um sorriso denunciador. Claro que deu conversa para meia viagem, a outra meia foi para rezar o terço, que também em viagem o Sr. Eng. Espirito Santo nunca se esquecia. Já se acabaram os encontros dos Montes Claros, os convívios e as festas da nossa Casa. Deixa saudades e o velório e as eucaristias destes que foram os últimos 2 dias de permanência em Lisboa demonstraram isso mesmo. Vale a pena ter e merecer ter amigos. 
Partiu, foi a despedida. Com ele seguiram para a terra-berço, - onde amanhã, sábado, D. Amândio vai celebrar missa - os restos mortais de sua muito amada esposa, D. Carmelinda (Carmelinda Augusta da Silva Santos Espírito Santo). Juntos em vida, juntos na partida e certamente juntos no Céu, pois que na terra o souberam conquistar. Até sempre senhor engenheiro.

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