Por: Barroso da Fonte
![]() |
Laura
Afonso, deusa das paixões de Artista e diretora da Fundação Nadir Afonso com
sede em Chaves, foi, ao longo de mais de 40 anos, a fonte de inspiração deste
Arquiteto de Formação, mas pintor de vocação e de atividade quase exclusiva.
Dia 7 de Agosto o Centro de Artes de Boticas recebeu uma embaixada de amigos da
arte e do artista. Formou-se, repentinamente, a multidão. Vila pequena mas
grande na urbanização e na decoração paisagística. Em menos de meia, concentraram-se
admiradores de Nadir Afonso, amigos da Mulher e dos Filhos. E, aberta a
exposição, ouviram-se palavras de agradecimento, de louvor e de aplauso. Em
2013 aquele Centro de Artes, construído e formatado ao gosto do Artista, seu
Patrono, abriu com uma mostra representativa das diversas fases da longa
carreira de Nadir que em 2014 nos deixou. Por essa altura edificava Chaves
aquele que será o palácio da consagração. Um edifício da autoria do arquiteto
Siza Vieira, o super-sumo da arquitetura do século que custou muitos milhões
que não foram pacíficos num tempo e num meio pouco propício para este tipo de
estruturas. Mas se foi pretexto para discórdias em tempo de crise, vai ser
motivo de júbilo e de regozijo em termos de futuro.
Nadir
Afonso nasceu em Chaves, onde estudou e onde regressou, já depois de formado e
de criar nome, em contacto com os grandes ora na Europa Central, ora no Brasil.
A formação em arquitetura foi-lhe muito útil, porque com ela aprendeu técnicas
e princípios consensuais com a pintura
matemática que Nadir sempre cultivou. No regresso às origens, elegeu a Mãe de
seus dois filhos, Laura Afonso. De novo em Chaves aí se firmou e afirmou, como
pintor de formas e de fórmulas universais que caracterizam o seu traço.
Mudou-se, já depois da revolução de Abril, para Lisboa, onde não esmoreceu,
antes se devotou à produção de um número significativo de obras que ofertou,
ora a Chaves, ora a Boticas. Três anos depois da inauguração do Centro de
Artes, em Boticas, numa justa homenagem à Mãe, Palmira Afonso que nasceu no
lugar de Sapelos deste concelho, Laura Afonso, já viúva do imortal Pintor
Barrosão, entretanto designada diretora da Fundação em fase de abertura na sede
o Alto Cávado e também diretora do Centro de Arte de Boticas, empenhou-se em reunir
nesta terceira mostra todos os trabalhos das diferentes fases artísticas de
Nadir.
São
muitas centenas de trabalhos de todos os tamanhos, desde os primeiros ensaios e
temas, a dimensões de formatos maiores, uns em tela, outros em materiais em
madeira, ou em suportes exóticos que sempre entram no percurso dos grandes
artistas. Como suporte a esta terceira mostra a Fundação Nadir Afonso editou o
terceiro Catálogo a que deu o título EROS Nadir Afonso. A Coordenação editorial
traz a assinatura de Laura Afonso e de Marta Mira, com textos da Nadir, da
Mulher e do Artista Doutor Bernardo Pinto de Almeida, um duriense que
representou Portugal na Euroarte /1989- Guimarães, quando o autor desta nota
foi vereador da Cultura, em Guimarães. Mais tarde foi nosso professor no
Mestrado na Universidade do Minho. Este nome é hoje, uma personalidade cimeira
no mundo das artes sem fronteiras. Pois é este mesmo especialista universitário
que afirma na p. 25: «O nome de Nadir Afonso ascende ao mais alto cume, e a
passagem do tempo apenas o vem
confirmando».
Já
na primeira exposição e nos mesmos moldes tinha sido editado «Nadir Afonso
Sequenzas», com 300 páginas, da autoria
de diversos colaboradores.
Até meados de Setembro o Centro de Artes de
Boticas, sede desta estrutura urbana, construída numa vila rural do Baixo
Barroso, está aberta ao público e com a presença dos Familiares diretos deste
autor Barrosão que qualquer cidade gostaria ter como seu.
Não é
hoje plausível que aos apaixonados pela Região Transmontana não seja
recomendada a visita a este santuário de artes. Entre os Rios Cávado, Rabagão e
Tâmega há um roteiro obrigatório para qualquer estudioso da arte
pictórica. Nadir Afonso nasceu em
Chaves, mas o pai nascera em Montalegre «na casa da Crujeira». E a Mãe veio ao
mundo em Sapelos. Um triângulo que se percorre numa tarde em busca da
identidade telúrica de Nadir Afonso, cujos restos mortais repousam no cemitério
Municipal de Chaves, em jazo de Família. Esse jazigo, vê-se da via Pública. E
não deve deixar de fazer parte de uma visita guiada, seja de escolas
secundárias, seja de Belas Artes ou outras do ensino Superior. Artistas como
Nadir Afonso nascem de século a século. E alguns que tenham nascido em Portugal
não puderam ser conhecidos. Daí os aplausos a esta boa coordenação entre as
Câmaras do Alto Tâmega que souberam concretizar este sonho cultural.
Resta
a Montalegre recuperar o atraso na partilha desta homenagem a um filho seu dos
mais ilustres do país.


Sem comentários:
Enviar um comentário