1- Nomeada dos
habitantes de Regodeiro (freguesia das Múrias e concelho de Mirandela)? –
Porque se acredita mais depressa numa gralha ou erro do consagrado Abade de
Baça (ou de um qualquer académico espertalhaço) do que na tradição dos
habitantes de Regodeiro? Chegará ouvirmos de orelha dos que já ouviram mal ou
copiarmos o que está errado em livros? Apesar da grandeza do Abade de Baçal os
erros têm que ser sempre contestados e corrigidos. Hoje, já não há os revisores
de provas de antanho e quem revê, na maioria dos casos não domina grande parte
do saber, daí serem vulgares os erros e as gralhas, mesmo nos académicos e
escritores mais rigorosos. Por isso, um jubilado lente de Coimbra me disse, há
anos, na apresentação de um meu livro: - já viu algum livro sem erros? Pelo
menos nos livros e textos que escrevo e nos que vou lendo (até em Prémios
Nóbeis) lá vão aparecendo erros ou gralhas. Voltando ao Regodeiro, a lenda ou a
memória oral não deixam dúvidas, os seus habitantes chamam-se «Gateiros».
Gateiros não no sentido de gatos, mas de augueira ou levada que «asseibaba» as
terras mimosas, para que, no estio, houvesse fartura para os regodeirenses e
para os animais que eram a extensão da família, e abundassem as «castanhas da
terra» e a gradura nos meses de míngua, ou seja, «do castanho ao cerejo». Diz a
memória oral ou a lenda que em tempos recuados foram provocados ou enganados,
por dois mariolas que, empoleirados ou acoitados cada um na croa de seu
negrilho, e terão, alternadamente, soltado gritos de arrebate: - à Gateira!
Foram todos, de fouces, forcadas, varapaus e fusis, defender o rego de água ou
augueira comum e viram que tudo corria como desejavam. A novo grito responderam
com igual ímpeto. Estes logros espicaçaram-lhes o orgulho comunitário e a
partir dessa data longínqua passaram a considerar ofensivo que alguém lhes
falasse ou gritasse «à Gateira»! Mudam-se os tempos, adoçam-se os ímpetos e
hoje vêem a nomeada, «à Gateira», como memória imaterial da sua aldeia. Não faz
sentido, nem prestigia o pelouro cultural do Município de Mirandela (nem
prestigiados dicionários trasmontanos), que no site www.mirandela.com conste
que os de Regodeiro são «Gaiteiros». Mas que gaita é esta permanecer no erro?
Tanto mais que, no melhor dicionário do concelho «Mirandelês» e no de «Falares
de Mirandela», que o complementa, em parte (estou a ultimar o terceiro livro),
está bem explícito e fundamentado que OS DE REGODEIRO SÃO «GATEIROS». Também
sugiro que estas duas publicações constem no site oficial municipal.
O ex-Presidente do
Município de Mirandela, José Silvano, no acto da condecoração pelo
Presidente
da República, em Belém, em 29JUL2015.
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2- Foram condecorados alguns dos nossos autarcas – Costumo dizer que Trás-os-Montes e Alto Douro «é a minha terra» e vou dedicando uma atenção mais continuada à nossa região. Depois, o Município de Mirandela, com regularidade, vai editando os seus «Boletins Municipais» electrónicos, a que chamam «newsletter», mesmo com nome pomposo o conceito em português é mais bonito. Goste-se ou não, os Boletins Municipais vão-nos dando a conhecer notícias interessantes, principalmente os que vivemos longe. Num dos últimos Boletins Municipais referia-se a condecoração do anterior autarca de Mirandela, José Silvano (natural de Abaças – Vila Real). Bem mereceu pela sua abertura à Cultura, ao Social, à requalificação exemplar de Mirandela e de muitas aldeias do concelho, sendo, ainda, muito aberto às pessoas e ao progresso do nosso município. Felicito José Silvano por este reconhecimento público e pelo seu trabalho. Ficou por criar um «Parque Biológico de Mirandela», entre a Azenha do Pinto Azevedo e a Ponte das Barcas de Chelas, que seria uma mais-valia para o desenvolvimento da região e um bom campo de trabalho dos serviços da Agricultura e municipais. Mas, pode ser que a conjuntura dos astros e dos deuses apanhe um período propício e avance com o actual Presidente Almor Branco. Foram as condecorações dos nossos autarcas que motivou esta lavra, tendo-me, anteriormente, referido e aplaudido o João Luís Fernandes, ex-Presidente de Murça, que tanto valorizou e alindou a terra da lendária porca, do bom vinho e do bom azeite. Entre os autarcas condecorados sabemos que Francisco Tavares, longevo ex-Presidente do Município de Valpaços, que pela sua postura de rosto erguido, grande apoiante da Cultura no seu concelho e que tornou este Município rural e isolado numa autarquia prestigiada, destacando-se, para além dos imensos melhoramentos por todo o termo concelhio, os eventos: «Feira do Folar de Valpaços» e a «Feira da Castanha de Carrazedo Montenegro». Sem o seu apoio à edição cultural de muito do património concelhio publicado estaria hoje ignorado, principalmente o trabalho notável e ímpar de inventariação geológico e arqueológico por Adérito Freitas. Depois, Francisco Tavares tornou-se um autarca modelo prestigiado e uma referência na região trasmontana e duriense. Os meus parabéns aos três agraciados e aos demais que tenham sido condecorados, com mérito, na nossa região.
3- Condutores Espanhóis
«pisam» Polícias Portugueses? – Numa tarde escaldante de Julho fiz uma visita a
Mirandela (e às minhas irmãs) e viajei com a família (incluindo dois netos de 4
e 5 meses). Depois de almoçarmos no Restaurante Grês, passámos em frente ao
Hotel D. Dinis e, principalmente por causa dos bébés, a minha filha parou em
contramão o seu (da empresa) carro de matrícula espanhola à sombra enquanto foi
comprar um espelho a uma loja de utilidades. Acto contínuo passa um diligente
PSP que me aborda agastado. Expliquei-lhe que eu não sabia mexer naquele carro
por ser todo automático, mas que a minha filha já estava a fazer o pagamento no
caixa. Perante o agastamento do agente tentei explicar-lhe que o carro seria de
imediato retirado. Entrei quase em pânico porque gosto de cumprir o que me
pedem as autoridades. Mais atrapalhado fiquei quando o agente se dirigiu ao
carro estacionado atrás, de matrícula portuguesa e conduzido pelo meu filho.
Para remediar a situação embaraçosa eu fui à loja buscar o recibo e a minha
filha foi para o carro para cumprir o que o agente ordenava. No final peço-lhe,
uma vez mais (pois foram tantas), desculpa pela situação ao que ele me
respondeu: - as desculpas não se pedem! Evitam-se! Aliás, toda a animosidade
seria mais por a minha filha estar com um carro de matrícula espanhola e o
agente não terá a melhor impressão dos condutores do país vizinho. O meu filho
explicou-lhe que estava ali com o carro à sombra, por momentos, para evitar o
calor, pois tinha a criança no berço. Ao que o agente lhe disse que podia
estar. À minha filha disse-lhe que em Espanha cumpria e em Portugal os
espanhóis gostavam de «pisar os polícias portugueses». Afinal, a minha filha,
também, só queria proteger o filho de meses do calor abrasador. O referido
polícia é uma pessoa cumpridora e tolerante. Em Mirandela, acho que a PSP é
mais pedagógica do que castigadora e no meio do equívoco, agradeço ao agente e
à PSP a paciência que tiveram prometendo evitar situações irregulares. Se todos
cumprirmos os agentes farão melhor trabalho.
Jorge Lage –
jorgelage@portugalmail.com – 05JUL2015
Provérbios ou ditos:
Em Agosto deve o milho ferver no caroço
e a castanha no ouriço.
P’la Assunção cada pinga vale um
tostão.
De Vinhais, se rões burros, piores
atafais.


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