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Tempo Caminhado: A Europa – Origens (4) |
Ao construir um Império
universal, Roma triunfou onde a Grécia fracassara. Ao mesmo tempo que se
tornara um estado corrupto, Roma desenvolve a sua personalidade nas diversas
modulações da gravitas latina: virtus, pietas e fides. Os
verdadeiros alicerces morais do Ocidente. Aliás, já anteriormente desenvolvidos
pela Ética aristotélica.
Em 312 Constantino
torna-se o mais poderoso de Roma. Em 313 decreta o famoso “Édito de Milão”, do
qual se não conhece texto algum, onde proíbe a perseguição aos Cristãos. Funda
a Roma do Oriente, Constantinopla (que virá influenciar, em grande medida, todo
o Ocidente).
Depois de Constantino,
os guerreiros germânicos “invadiram” o império, dando origem à combinação
civilizacional definitiva da cultura europeia, em França, Espanha e Itália. O
melhor relato sobre os Germanos (povo iletrado) pertence ao historiador romano
Tácito, que data do século I D.C. Nele se descreve muitas das suas
características que, associadas às dos povos (de que derivam) que os precederam
formaram a matriz comportamental europeia:
“No campo de batalha, é
uma desgraça para o chefe ser ultrapassado em coragem pelos companheiros e para
os companheiros, não igualar a coragem do seu chefe. Abandonar vivo uma batalha
depois do seu chefe tombar significa infâmia e vergonha para toda a vida.
Defender proteger e creditar-lhe ao chefe os próprios actos de heroísmo – eis
para eles o verdadeiro significado de lealdade. Os chefes combatem pela
vitória, os companheiros, pelo seu chefe. Muita da nobre juventude, estando a
sua terra de nascimento estagnada em prolongada paz, busca deliberadamente
outras tribos em que alguma guerra decorra. Os Germanos têm desgosto pela paz.
A fama ganha-se mais facilmente entre perigos, só se pode manter um largo corpo
de companheiros pela violência e pela guerra. Os companheiros estão sempre a
exigir coisas do seu chefe: dá-me aquele ginete ou dá-me aquela sangrenta e
vitoriosa lança.
Quanto a refeições, de
cariz abundante embora caseiro, contam simplesmente como soldo. Uma tal
liberalidade só pode ser alimentada pela guerra e a pilhagem. Ser-vos-á difícil
persuadir um germano a lavrar a terra e aguardar pacientemente o seu fruto
anual, em vez de desafiar um inimigo e colher os preços dos ferimentos.
Considerará vão e inferior ganhar pelo suor o que pode comprar com sangue”.
Quando o Império Romano
ruiu, a Igreja sobreviveu pois tinha o seu próprio governo. E preservou os
ensinamentos da Grécia e de Roma, apesar de pagãos. É pois à Igreja, aos seus
monges, que a Europa deve a memória da sua matriz. As escolas monacais (mais
tarde transformadas nas universidades medievais), orientadas por monges cultos
impregnados da tradição greco-romana, irão favorecer o surgimento de Carlos
Magno e do seu reino, numa tentativa de refundar o velho Império Romano que a
memória nunca esquecera.
Armando Palavras

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