segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Europa – Origens (5) - epilogo

                          Tempo Caminhado: A Europa – Origens (4)

Ao construir um Império universal, Roma triunfou onde a Grécia fracassara. Ao mesmo tempo que se tornara um estado corrupto, Roma desenvolve a sua personalidade nas diversas modulações da gravitas latina: virtus, pietas e fides. Os verdadeiros alicerces morais do Ocidente. Aliás, já anteriormente desenvolvidos pela Ética aristotélica.
Em 312 Constantino torna-se o mais poderoso de Roma. Em 313 decreta o famoso “Édito de Milão”, do qual se não conhece texto algum, onde proíbe a perseguição aos Cristãos. Funda a Roma do Oriente, Constantinopla (que virá influenciar, em grande medida, todo o Ocidente).
Depois de Constantino, os guerreiros germânicos “invadiram” o império, dando origem à combinação civilizacional definitiva da cultura europeia, em França, Espanha e Itália. O melhor relato sobre os Germanos (povo iletrado) pertence ao historiador romano Tácito, que data do século I D.C. Nele se descreve muitas das suas características que, associadas às dos povos (de que derivam) que os precederam formaram a matriz comportamental europeia:

“No campo de batalha, é uma desgraça para o chefe ser ultrapassado em coragem pelos companheiros e para os companheiros, não igualar a coragem do seu chefe. Abandonar vivo uma batalha depois do seu chefe tombar significa infâmia e vergonha para toda a vida. Defender proteger e creditar-lhe ao chefe os próprios actos de heroísmo – eis para eles o verdadeiro significado de lealdade. Os chefes combatem pela vitória, os companheiros, pelo seu chefe. Muita da nobre juventude, estando a sua terra de nascimento estagnada em prolongada paz, busca deliberadamente outras tribos em que alguma guerra decorra. Os Germanos têm desgosto pela paz. A fama ganha-se mais facilmente entre perigos, só se pode manter um largo corpo de companheiros pela violência e pela guerra. Os companheiros estão sempre a exigir coisas do seu chefe: dá-me aquele ginete ou dá-me aquela sangrenta e vitoriosa lança.
Quanto a refeições, de cariz abundante embora caseiro, contam simplesmente como soldo. Uma tal liberalidade só pode ser alimentada pela guerra e a pilhagem. Ser-vos-á difícil persuadir um germano a lavrar a terra e aguardar pacientemente o seu fruto anual, em vez de desafiar um inimigo e colher os preços dos ferimentos. Considerará vão e inferior ganhar pelo suor o que pode comprar com sangue”.

Quando o Império Romano ruiu, a Igreja sobreviveu pois tinha o seu próprio governo. E preservou os ensinamentos da Grécia e de Roma, apesar de pagãos. É pois à Igreja, aos seus monges, que a Europa deve a memória da sua matriz. As escolas monacais (mais tarde transformadas nas universidades medievais), orientadas por monges cultos impregnados da tradição greco-romana, irão favorecer o surgimento de Carlos Magno e do seu reino, numa tentativa de refundar o velho Império Romano que a memória nunca esquecera.
Armando Palavras



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