quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Presumíveis Patifes



Há mais de duas décadas, Valente de Oliveira, antigo ministro dos governos do então Primeiro-ministro Cavaco Silva, fundou um Instituto Superior da Administração pública. Ali acorreram e fizeram formação superior quadros dos  vários quadrantes políticos. Uma formação séria, decente, levou-os a ocupar os lugares mais elevados do Estado.
Durante  a década de governação de Anibal Cavaco Silva, a Administração do Estado, com os defeitos próprios das sociedades humanas funcionou na “perfeição”. Estivesse no alto cargo da Administração quem estivesse, fosse da ideologia que fosse: PCP, PS, CDS, PSD, ou outros. O cidadão, melhor dizendo o profissional sabia que não era prejudicado por patifes. Havia mecanismos “naturais”, sobretudo éticos (apreendidos no Instituto) que impediam o seu prejuízo. E havia mecanismos de defesa legais (quando as leis eram leis – e não “apêndices”) que impediam os patifes impelidos pela invidia de prejudicar fosse quem fosse. Foi o tempo em que a justiça se impôs à impunidade.
Vem isto a propósito do último caso de corrupção conhecido: o dos Vistos Gold que atingiu cargos elevados do Estado, provocando a demissão do ministro da tutela.
A dada altura, o tal Instituto desapareceu. Porquê? Porque havia necessidade, por parte de certos sectores sociais, em “meter” os amigos nesses lugares. A falta de ética, de valores, impediu que fosse feito o correcto.
Certos indivíduos, por influência politica, ocuparam esses cargos, chegando a ministros (as). Hoje estão a contas com a justiça.
Mas essa corrupção está espalhada por toda a Administração, do mais alto ao mais baixo: nas chafaricas das várias repartições …

Os presumíveis patifes do caso Vistos Gold não fogem à regra. São fruto dos interesses sobrepostos ao bem geral. Mas sobretudo, fruto de uma governação escabrosa, promotora de uma cultura cacique onde a interpretação da “lei” justifica a estupidez, iniciada em 2005, terminada (?) em 2011 (a muito custo) e que levou o país à bancarrota.


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