quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Onde se não come bem em Chaves?...


Jorge Lage
 3- Onde se não come bem em Chaves?... – Era o primeiro Sábado de Agosto e resolvi com a minha mulher irmos a Chaves, onde decorria a Festa dos Sabores. Quando se fala em sabores flavienses saliva-se logo por um bom pastel ou carolo de folar. Chegados à Terra das Águas, decidimos, para variar, ir almoçar a outro local que não fosse aos Restaurantes Lavrador, Carvalho ou Aprígio, onde somos bem servidos. E quisemos experimentar o Restaurante de Quinta – Samaiões. O local, quer interior, quer exteriormente, é convidativo. A decoração do estava muito agradável e com muita luz. A mesa que nos foi dada, fomos os primeiros a chegar, era a melhor, com uma vista deslumbrante sobre a nave poente da Serra do Brunheiro e augurava uma bom almoço. Trouxeram logo uma garrafa de água, sem ser pedida, que na concorrência custa 0,16 €, e pela qual nos debitaram 2 €. A sopa de peixe estava normal (os camarões, do meio até à cauda tinham casca), e foi o que nos compôs o estômago. Foi sugerido o vinho da casa, que levei ao nariz e me pareceu aceitável, mas da prova da minha mulher recebeu um «fraco». Disse-lhe que ficava aquele que estava no copo porque eu só ia beber meio copo (tinham dito que serviam a copo). Como prato sugeriram «cabritinho de leite, assado» para dois. E aqui fazem uma maldade, trazem-nos três o-s-s-o-s para cada um, bem escolhidos, dos que se atiram aos cães rafeiros, e uma minúscula pele. De carne dos dois pratos não devia andar longe das cinquenta gramas. A certa altura o servente veio perguntar se queríamos mais cabrito e com receio de nos serem atirados mais dois ou três ossos dissemos que não. Com estômago desconsolado aparece a carta de sobremesas com nomes bonitos e a minha mulher decide experimentar «rabanadas de laranja, com arroz-doce cremoso e gelado». Esperou-se e desesperou-se quarenta minutos pela sobremesa. As duas rabanadas eram da espessura das solas dos sapatos, secas e a saberem a ranço. O «arroz-doce cremoso era um grude ou argamassa para a construção civil. O gelado a acompanhar tinha carambina forte. Um desconsolo que ficou no prato por estar intragável. Nunca nos foi posta uma sobremesa tão fraca. Antes de vir a conta lembrei ao servente que nem o meio copo de vinho da prova acabei por beber, mesmo assim debitaram 4 € de vinho da casa. Ao vir a conta 42,50 € era o total, isto é, come-se mal e pagam-se bem. Fica-se com a sensação de se ser roubado. Para a próxima é melhor ir aos que servem bem ou então fazer uma refeição ligeira em qualquer bar.


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