sábado, 6 de setembro de 2014

Jorge Lage - Hortelões de Mirandela


Jorge Lage
 4- Hortelões de Mirandela – Quando decidi escrever sobre os hortelões de Mirandela, pedi ajuda a amigos e até sugeriram os nomes dos donos das grandes casas agrícolas do concelho nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado. Mas não era por aí que me mandava a voz consciência cívica e etnográfica. Tinha de ir pelos que assucavam o talhão, estrumavam, plantavam, raspavam, sachavam e voltavam a fazer os regos. Por isso, aproveitei um rol de hortelões de Mirandela que me fez chegar o amigo, José Golias, que pode não estar completo mas é representativo dos que melhor sabiam amanhar os mimos da horta ou da cortinha, dando fama, em tempo de míngua, à Praça de Mirandela, a mais farta de Trás-os-Montes e Alto Douro. Assim, entre vários hortelões, permito-me referir o António Alfredo, junto à Ponte Romana, digo, Medieval; e o Basílio Silva ao pé da Ponte das Alavancas, ambos possuidores das mimosas cortinhas junto à Ribeira de Carvalhais. O Marcolino Mós (com o genro), exporta camiões de couve-penca de Mirandela para a Suiça, saída das ubérrimas hortas regadas pela Ribeira de Cedães. O António Serafim Jacob da fértil veiga de Carvalhais, onde se produz da melhor couve-de-Mirandela. O Victor Leal, da Freixeda, que, também, cultivava os mimos nas hortas de Mirandela. O Manuel António Dias (Manuel Pardal), da Vila Tarana, era outro hortelão de referência. O João Baptista Esteves, de Vale de Madeiro, com a Ribeira de Cedães a fertilizar as varges para o «renobo» mimoso. Mas, o texto anterior que assinei sobre «A Couve Penca de Mirandela» [Tempo Caminhado: Jorge Lage - A COUVE-PENCA DE ...]não teria sido possível com aquela profundidade e pormenores técnicos sem a ajuda do meu irmão Arménio. A sua memória (e a minha) é a que se aproxima mais da prodigiosa do meu pai. O meu pai gravava o que ouvia como se fosse a objectiva duma máquina fotográfica ou disco rígido de um computador. Depois, lia textos aprendidos há setenta anos, com entoação, pausas, pontos e vírgulas.

Tempo Caminhado: Jorge Lage - A COUVE-PENCA DE ...


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