quarta-feira, 30 de abril de 2014

Jorge Lage - Notas de Rodapé (106)





Jorge Lage
1- Nova sede da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa – Fui já duas vezes à Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa apresentar livros e vim de lá muito satisfeito. Soube que esta grande Casa Regional Trasmontana tem um enorme desafio pela frente. Foi-lhe oferecido, pelo município de Lisboa, um edifício nobre, situado entre o Corpo Santo e o Cais de Sodré, mas a precisar de grandes obras. Nas recentes eleições para os corpos sociais houve duas listas a votos, que não se fundiram, o que foi uma pena. Foi uma pena porque a tarefa ciclópica de remodelar a nova sede exige empenho de todos os trasmontanos e amigos. Saúdo o facto de haver muita gente de Mirandela nesta nova direcção. Em tempo de crise, saber que alguém quer fazer uma obra social não vai faltar quem se insinue junto da actual direcção para projectos e para as obras. Fosse a obra na região do Porto e o ilustre mirandelense, Artur Ferreira, formado no traço e risco académico coimbrão, diria presente. Quem encomende projectos, gastando o que não tem ou lhe vai fazer falta para o miolo da obra, é o caminho mais fácil e comprometedor da viabilidade do restauro. Mas, conseguir do próprio município lisbonense que um, das centenas de arquitectos que este tem a expensas dos munícipes, elabore gratuitamente o projecto de restauro, já não são todos capazes de tal proeza. Depois, a vulgaridade dos arquitectos é generosa com a bolsa dos outros. É preciso saber implicar as pessoas certas, capazes de conseguir esta colaboração do município. Se todos remarem dentro do mesmo barco, embora seja uma tarefa muito difícil, não será impossível. É preciso muita humildade e espírito de sacrifício para se lavar o barco a bom porto. Alerto, desde já, que a actual sede só deve ser negociada quando as obras para se instalar a Casa na nova estejam concluídas ou quase. Caso contrário ainda perdem pau e bola. Se tivesse responsabilidades na obra da nova sede, fá-las-ia de forma faseada, recorrendo a um bom subempreiteiro e a fundos comunitários e/ou sociais. Não vai ser fácil, mas não será impossível se houver talento e «mão-de-ferro» orçamental.


2- A terra dos paneleiros – Na minha recolha etnográfica em torno da castanha e do castanheiro tenho descoberto provérbios, quadras populares e outros saberes que me deixam deliciado. Estas raridades de grande força, beleza e até sociologicamente umas preciosidades dão-me força para continuar o semieiro pedregoso e íngreme. Assim, estava eu na Casa da Beira Alta, no Porto (rua de Santa Catarina) e um meu amigo da Serra de Montemuro forneceu-me informação que virá a público no próximo livro sobre a castanha. Nas trocas comerciais de antanho apesar dos rudimentares meios de transporte, com a orografia e hidrografia adversas, que nunca formaram barreiras ao comércio. As gentes de Cinfães brindavam os de Bisalhães com a seguinte quadra maldosa que tem lugar cativo no Cancioneiro Popular, pelo menos no castanhícola:

Se fores a Bisalhães,
à terra dos paneleiros.
Dá um beijo ao meu amor,
à sombra dos castanheiros.




3- A Poetisa Maria Augusta Ribeiro vai figurar em mais uma Antologia – De tempos a tempos troco uma ou outra mensagem com a poetisa Maria Augusta Ribeiro, quando ela ou eu julgamos ter interesse. Numa das trocas mensagens, fui informado que a editora Chiado a incluiu numa antologia a sair em breve, Quem não gosta de ver a sua criatividade premiada com uma escolha. O que sinto, quando leio os seus poemas no Notícias de Mirandela, é que a Maria Augusta está com a veia poética melhor que nunca. Parece mesmo que no seu corpo e na sua alma passam duas correntes: a sanguínea e a poética. Por isso, espero que a sua pena nunca se canse e nos encante por muitos e bons anos. Estamos a precisar de mais um seu livro de poemas



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