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| Jorge Lage |
1- Nova sede da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa – Fui
já duas vezes à Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa apresentar livros
e vim de lá muito satisfeito. Soube que
esta grande Casa Regional Trasmontana tem um enorme desafio pela frente.
Foi-lhe oferecido, pelo município de Lisboa, um edifício nobre, situado entre o
Corpo Santo e o Cais de Sodré, mas a precisar de grandes obras. Nas recentes
eleições para os corpos sociais houve duas listas a votos, que não se fundiram,
o que foi uma pena. Foi uma pena porque a tarefa ciclópica de remodelar a nova
sede exige empenho de todos os trasmontanos e amigos. Saúdo o facto de haver
muita gente de Mirandela nesta nova direcção. Em tempo de crise, saber que
alguém quer fazer uma obra social não vai faltar quem se insinue junto da
actual direcção para projectos e para as obras. Fosse a obra na região do Porto
e o ilustre mirandelense, Artur Ferreira, formado no traço e risco académico
coimbrão, diria presente. Quem encomende projectos, gastando o que não tem ou
lhe vai fazer falta para o miolo da obra, é o caminho mais fácil e
comprometedor da viabilidade do restauro. Mas, conseguir do próprio município
lisbonense que um, das centenas de arquitectos que este tem a expensas dos
munícipes, elabore gratuitamente o projecto de restauro, já não são todos
capazes de tal proeza. Depois, a vulgaridade dos arquitectos é generosa com a
bolsa dos outros. É preciso saber implicar as pessoas certas, capazes de
conseguir esta colaboração do município. Se todos remarem dentro do mesmo
barco, embora seja uma tarefa muito difícil, não será impossível. É preciso
muita humildade e espírito de sacrifício para se lavar o barco a bom porto.
Alerto, desde já, que a actual sede só deve ser negociada quando as obras para
se instalar a Casa na nova estejam concluídas ou quase. Caso contrário ainda
perdem pau e bola. Se tivesse responsabilidades na obra da nova sede, fá-las-ia
de forma faseada, recorrendo a um bom subempreiteiro e a fundos comunitários
e/ou sociais. Não vai ser fácil, mas não será impossível se houver talento e
«mão-de-ferro» orçamental.

2-
A terra dos paneleiros – Na minha recolha etnográfica em torno da
castanha e do castanheiro tenho descoberto provérbios, quadras populares e
outros saberes que me deixam deliciado
. Estas
raridades de grande força, beleza e até sociologicamente umas preciosidades
dão-me força para continuar o semieiro pedregoso e íngreme. Assim, estava eu na
Casa da Beira Alta, no Porto (rua de Santa Catarina) e um meu amigo da Serra de
Montemuro forneceu-me informação que virá a público no próximo livro sobre a
castanha. Nas trocas comerciais de antanho apesar dos rudimentares meios de
transporte, com a orografia e hidrografia adversas, que nunca formaram
barreiras ao comércio. As gentes de Cinfães brindavam os de Bisalhães com a
seguinte quadra maldosa que tem lugar cativo no Cancioneiro Popular, pelo menos
no castanhícola:
Se
fores a Bisalhães,
à terra dos paneleiros.
Dá um beijo ao meu amor,
à sombra dos castanheiros.
3- A
Poetisa Maria Augusta Ribeiro vai figurar em mais uma Antologia – De tempos
a tempos troco uma ou outra mensagem com a poetisa Maria Augusta Ribeiro,
quando ela ou eu julgamos ter interesse. Numa das trocas mensagens, fui
informado que a editora Chiado a incluiu numa antologia a sair em breve, Quem
não gosta de ver a sua criatividade premiada com uma escolha. O que sinto,
quando leio os seus poemas no Notícias de Mirandela, é que a Maria Augusta está
com a veia poética melhor que nunca. Parece mesmo que no seu corpo e na sua
alma passam duas correntes: a sanguínea e a poética. Por isso, espero que a sua
pena nunca se canse e nos encante por muitos e bons anos. Estamos a precisar de
mais um seu livro de poemas
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