sábado, 1 de março de 2014

Costa Pereira - Depois da folia, vem o tempo de reflexão


                                Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra.
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E digo eu que não gosto….
Do latim (introitus) que quer dizer "entrada" ou inicio do ano, da primavera ou, mesmo, da Quaresma, o Entrudo é a remota celebração pagã que hoje conhecemos por Carnaval. Festa popular que faz o delírio dos foliões e embriaga os participantes e apreciadores do folclore e da musica alegre e movimentada que faz parte do nosso património cultural. Nunca foi espetáculo que me seduzisse talvez fruto do receio que nos primeiros anos da minha infância tinha das “máscaras” ou “caretas” e das “macacas” que no Entrudo figuravam no corço da minha terras natal.
De qualquer modo aprecio o trabalho de quem organiza, promove e anima essa tradição romana que remonta às Saturnalias, festas em honra de Saturno cujos ritos e cerimonias tinham como objectivo o despertar do novo ciclo da Mãe / Natureza; as Lupercalias, que se celebravam ao redor do 15 de Fevereiro, assegurando a fecundidade dos homens, animais e campos e às Matronalias, festa dedicada às mulheres que nestas datas tinham poderes especiais sobre os homens.
Mantendo o mesmo cerimonial que se pode imaginar em tradições, como o Dragão de São Jorge, no Minho, nos Caretos, em Trás-os-Montes e nos Gigantones e Cabeçudos por todo quanto é povoação, o  Carnaval é uma “recordação das festas dos "loucos medievais", colocando um ponto final ao tempo de excessos que precedem a Quarta – Feira de cinzas".

Quarta-feira de Cinzas, dia em que o cristão, na Missa, recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior.
"Quaresma" é uma corruptela de "quadragésima" - 40 - por corresponder a quarenta dias de penitência, em que nos preparamos, tentando nos livrar das muitas armadilhas do mundo, para que sejamos menos indignos de receber tão magnífico presente, pela Páscoa. Na Quaresma não se canta o Aleluia, na Quaresma não se canta o Glória. É um tempo penitencial, um tempo de recolhimento e preparação. Já que tão pouco nem ao meu habitual corço em terras de Leiria vou este ano, que ao menos consiga viver uma Quaresma bem vivida, e com aquela alegria própria do cristão.




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