No
último artigo que lhe conhecemos (Público, 13 de Julho) pega na metáfora do
“navio fantasma” (uma lenda comum em várias comunidades de marinheiros),
transposta para a ópera de Wagner, para comparação com o actual governo. Mas o
objectivo de Pacheco Pereira é, sub-repticiamente, humilhar o Primeiro –
ministro.
Começa
por dizer que há um ano havia prometido não subir impostos[1]. E a seguir
vem a bordoada (do costume): “O primeiro-ministro, que se tivesse um resto de hombridade já de há muito se teria
demitido, engole tudo para permanecer no poder”.
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E
já que Pacheco Pereira pegou na metáfora do “navio fantasma”, ocorre-nos um
episódio que talvez se tenha passado em
Nunca
nos preocupamos em verificar se é verdadeiro ou se pertence ao domínio da
lenda. Mas pertença ao que pertencer, é didáctico, e como o lemos ainda
estudante de liceu, ao ano e ao local, perdemos-lhe o rasto, mas o conteúdo
ficou-nos para sempre na memória.
Conta-se
que Júlio César, numa das suas campanhas (talvez na Britânia), depois de
desembarcar, quando os seus homens já estavam a uma distância considerável das
embarcações, mandou-as incendiar. Os homens olharam as chamas de longe e
seguiram em frente. A
mensagem que César lhes pretendia transmitir é que não havia recuo. Não é para
todos. Só para homens feitos de aço; de rija têmpera.
E
já agora, contrapõe-se à ópera de Wagner, a “Flauta Mágica” de Mozart. Anotem-se
as características de Tamino e as da Rainha da Noite, e atribua-se o quê a quem!
É
que Pacheco Pereira fez exactamente a mesma coisa em 2004/2005 ao então
Primeiro-ministro Pedro Santana Lopes. Não tem emenda. O que é que ganhou em
2005? Uma sociedade destroçada.
Armando
Palavras
Post-scriptum
A
solução do Presidente da República é patriótica, mas este governo continua
legítimo. E está na plenitude das suas funções – não lhe falta nenhum ministro!
O facto de não ter cumprido o programa eleitoral (ainda está a meio de mandato)
não lhe retira legitimidade alguma. As razões são conhecidas. Tentar salvar o
país da bancarrota acrescenta-lhe a legitimidade que os eleitores lhe deram em
eleições livres. Não cometeu nenhuma patifaria em prejuízo do Estado e a todos
chamou às dificuldades (não apenas a alguns como o fizeram os dois governos
antecedentes); procura honrar os compromissos e arduamente conseguiu que o
Estado Português ganhasse credibilidade internacional. Segue os preceitos
constitucionais das origens da democracia e das democracias modernas (se assim
o quiserem).
Porque
razão se pedem então eleições antecipadas? Em democracia, o fim último não são
as eleições; essas são um meio para conseguir o fim último. Mas apenas um dos
meios. A democracia não se esgota nas eleições.
Se
o acordo proposto pelo Presidente não resultar, terão de se realizar, mas quem
as defende (e todos sabemos quem) não deve ficar impune se o país entrar em bancarrota. O abismo
está aí, à nossa frente. Exige-se prudência aos actores políticos. E uma
observância atenta ao povo.
[1]
Pacheco Pereira não deve saber em que situação José Sócrates deixou o país. E
não deve saber que este governo é forçado a cumprir um acordo com os credores
que foi assinado por Sócrates, para que o país não caia, em definitivo, na
bancarrota. Moralmente e eticamente o que se passa não é correcto, mas que
alternativa tem o governo? Rasgar o compromisso? Não o rasgando, que soluções
oferece o dr. Pacheco Pereira para que se cumpra o acordo? Inventar uma máquina
de dinheiro como pretende o dr. Soares? E o dinheiro para a inventar? Pacheco
Pereira, neste aspecto, tem que ser claro e dizer aos portugueses a fórmula
correcta para cumprir o acordo. Não basta dizer que é preciso crescer
economicamente, é preciso dizer como se faz isso! Se tem alguma fórmula mágica,
como patriota, apresente-a.

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