Benjamin Franklin
“Educai as crianças e não será necessário castigar os
homens”
Atribuída a Pitágoras
Se a greve das centrais sindicais
de professores fosse uma greve a exames de professores, receberiam o nosso
total aplauso. Sabemos que algumas reivindicações são justas; mas impossíveis
de concretizar (pelo menos nestes próximos anos) por imposição dos credores.
Daqueles que todos os meses pagam os vencimentos dos professores e dos
sindicalistas. Daqueles que, embora “ostracizados” pela grande maioria dos
portugueses, porque danados com as condições de vida impostas, evitam que o país
entre em completa bancarrota, para a qual nos conduziram as governações
execráveis “socialistas” de José Sócrates.
Contudo, esta greve não é uma
greve a exames de professores. É uma greve a exames dos seus alunos. E só por
isso é eticamente desprezível (para não usarmos um jargão boçal). José Ferreira
Machado, a este propósito, reflecte no jornal Sol: “ … os exames nacionais deveriam ser uma coutada protegida de
respeito para com os alunos e o seu esforço. (…), ao violar-se essa coutada,
ficamos um pouco mais próximo da barbárie em que tudo é admissível”. João
Carlos Espada, no jornal Público (que
aqui publicámos) reforça esta questão. Só os sindicatos de professores entendem
o contrário, porque estão apostados na barbárie.
Franklin Delano Roosevelt disse certa vez
que as pessoas medíocres se limitam a falar das outras pessoas (e Confúcio
di-lo-ia de outra maneira: do seu umbigo e partido). Que as medianas falam do
conhecimento e as superiores de conceitos. Que conhecimentos e conceitos sobre
Educação estão em causa nesta greve aos exames dos estudantes? Nenhuns. Apenas
o mexerico do costume; a mixórdia.
Toda uma geração de estudantes,
que não é pequena (75 mil alunos do Secundário e mais de 200 mil do Básico),
irá recordar este comportamento reprovável dos seus professores. Como a geração
de hoje recorda os tempos do PREC.
Grande parte dos professores
(embora uma maioria significativa de 90%, ou mais, tenha alinhado) não fez
greve em consciência.
Uns fizeram-na por solidariedade com os colegas, outros por
receio de estigmatização no local de trabalho. E porque as condições sociais e
económicas do país o permitem.

Desistisse este governo da sua
missão histórica e em dois meses estaríamos pior do que a Grécia porque a lenda
dos brandos costumes, não passa disso, de lenda; desistissem os intelectuais
como o ministro Nuno Crato e estaríamos irremediavelmente envoltos da
mediocridade que nos tem caracterizado. Foram os intelectuais, e não outros,
que alguma coisa mudaram, para melhor, nos governos a que pertenceram; desde os
tempos remotos da Antiguidade. Péricles é um bom exemplo!
As maquinações desta greve
trazem-nos à memória uma narrativa extraordinária de Gabriel Garcia Márquez: “O
Amor nos Tempos de Cólera”. Quando Leão II, dono da Companhia Fluvial, na qual
estava empregado Florentino Ariza, se reformou, o sobrinho Florentino ia
visitá-lo todos os domingos ao seu refúgio campestre. Numa dessas visitas, o
velho tio disse-lhe: “ – Vou fazer cem anos e já vi mudar tudo, até a posição
dos astros no Universo, mas ainda não vi mudar nada neste país”. E
acrescentava: “ - Aqui fazem-se novas constituições, novas leis, novas guerras
de três em três meses, mas continuamos como nos tempos coloniais”.
E a propósito desta reflexão de
“cabo de esquadra” que bem se pode aplicar a Portugal, remetemos para duas
crónicas de João Miguel Tavares (jornal Público de 18 e 20 de Junho) que nos
permitem concluir este escrito com a célebre tirada “Nada de novo debaixo do
sol”.
Armando
Palavras



Sem comentários:
Enviar um comentário