sábado, 22 de junho de 2013

Nada de novo debaixo do sol – A greve das estruturas sindicais dos professores



“Podiam-se educar duas crianças pelo preço que custa manter um vício”.
Benjamin Franklin

“Educai as crianças e não será necessário castigar os homens”
Atribuída a Pitágoras

Se a greve das centrais sindicais de professores fosse uma greve a exames de professores, receberiam o nosso total aplauso. Sabemos que algumas reivindicações são justas; mas impossíveis de concretizar (pelo menos nestes próximos anos) por imposição dos credores. Daqueles que todos os meses pagam os vencimentos dos professores e dos sindicalistas. Daqueles que, embora “ostracizados” pela grande maioria dos portugueses, porque danados com as condições de vida impostas, evitam que o país entre em completa bancarrota, para a qual nos conduziram as governações execráveis “socialistas” de José Sócrates.


Contudo, esta greve não é uma greve a exames de professores. É uma greve a exames dos seus alunos. E só por isso é eticamente desprezível (para não usarmos um jargão boçal). José Ferreira Machado, a este propósito, reflecte no jornal Sol: “ … os exames nacionais deveriam ser uma coutada protegida de respeito para com os alunos e o seu esforço. (…), ao violar-se essa coutada, ficamos um pouco mais próximo da barbárie em que tudo é admissível”. João Carlos Espada, no jornal Público (que aqui publicámos) reforça esta questão. Só os sindicatos de professores entendem o contrário, porque estão apostados na barbárie.
Franklin Delano Roosevelt disse certa vez que as pessoas medíocres se limitam a falar das outras pessoas (e Confúcio di-lo-ia de outra maneira: do seu umbigo e partido). Que as medianas falam do conhecimento e as superiores de conceitos. Que conhecimentos e conceitos sobre Educação estão em causa nesta greve aos exames dos estudantes? Nenhuns. Apenas o mexerico do costume; a mixórdia.
Toda uma geração de estudantes, que não é pequena (75 mil alunos do Secundário e mais de 200 mil do Básico), irá recordar este comportamento reprovável dos seus professores. Como a geração de hoje recorda os tempos do PREC.
Grande parte dos professores (embora uma maioria significativa de 90%, ou mais, tenha alinhado) não fez greve em consciência. Uns fizeram-na por solidariedade com os colegas, outros por receio de estigmatização no local de trabalho. E porque as condições sociais e económicas do país o permitem.
 
Desistisse este governo da sua missão histórica e em dois meses estaríamos pior do que a Grécia porque a lenda dos brandos costumes, não passa disso, de lenda; desistissem os intelectuais como o ministro Nuno Crato e estaríamos irremediavelmente envoltos da mediocridade que nos tem caracterizado. Foram os intelectuais, e não outros, que alguma coisa mudaram, para melhor, nos governos a que pertenceram; desde os tempos remotos da Antiguidade. Péricles é um bom exemplo!

Gabriel García MarquezAs maquinações desta greve trazem-nos à memória uma narrativa extraordinária de Gabriel Garcia Márquez: “O Amor nos Tempos de Cólera”. Quando Leão II, dono da Companhia Fluvial, na qual estava empregado Florentino Ariza, se reformou, o sobrinho Florentino ia visitá-lo todos os domingos ao seu refúgio campestre. Numa dessas visitas, o velho tio disse-lhe: “ – Vou fazer cem anos e já vi mudar tudo, até a posição dos astros no Universo, mas ainda não vi mudar nada neste país”. E acrescentava: “ - Aqui fazem-se novas constituições, novas leis, novas guerras de três em três meses, mas continuamos como nos tempos coloniais”.
E a propósito desta reflexão de “cabo de esquadra” que bem se pode aplicar a Portugal, remetemos para duas crónicas de João Miguel Tavares (jornal Público de 18 e 20 de Junho) que nos permitem concluir este escrito com a célebre tirada “Nada de novo debaixo do sol”.
Armando Palavras

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