quinta-feira, 30 de maio de 2013

Miguel Esteves Cardoso a propósito das posições de Sousa Tavares e do Presidente da República



Comentário

Aqui está um argumento arguto, inteligente e sábio. Mas neste mesmo jornal em que Esteves Cardoso escreve, acerca deste assunto, temos lido algumas palermices de articulistas que se acham sábios, ao invocarem o famoso artigo 328. Para estes a Lei só deve ser cumprida pelo Governo, ou por aqueles que não pertencem ao seu espectro ideológico. Quando se trata de “correligionários”, argumentam-se as maiores baboseiras! Outros, além de palermices, insistem em argumentos execráveis, porque “recorrer à justiça (ainda que nos termos da lei) para cercear a liberdade de expressão …”, debilita as instituições politicas! Como se um insulto (reconhecido pelo autor do mesmo, ainda que de forma velada no dia seguinte, e como Esteves Cardoso lembra) fosse universalmente reconhecido como “instrumento” de “liberdade de expressão”! Não é, nem nunca será em sociedades civilizadas.
Liberdade é responsabilidade. E não é responsável insultar seja quem for, sobretudo quando o insulto se não pode apagar. Quando se insulta alguém, atinge-se-lhe o âmago da alma; da dignidade humana. Uma coisa é a lei (grande parte das vezes estapafúrdia, como o reconhece, entre outros, Edmund Burke); outra é a pessoa humana. E no contexto em que a palavra “palhaço” foi proferida, foi um insulto. Não apenas ao Presidente da República, ou ao Professor Catedrático, como (sobretudo) à pessoa humana; ao cidadão Aníbal Cavaco Silva. Montesquieu, o grande tratadista, disse um dia: “ A liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite”. Nós acrescentamos: “Quando é justa!”. E Bernard Shaw foi claro: “Liberdade quer dizer responsabilidade. É por isso que muita gente tem medo dela”.
Ora Miguel Sousa Tavares é um fulano responsável e culto. Só se justifica, de facto, essa sua “falha”, por ter ido “a reboque da pergunta”.
Porque a expressão é ambígua, se deve maior cuidado quando proferida.
 

 

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