sábado, 11 de maio de 2013

Ficções de Jorge Luís Borges


O Auto da Alma, Os Lusíadas, A Paixão do Jovem Werther, Mensagem, À Espera do Centeio, Pela Estrada Fora, O Lobo das Estepes, Iluminações, ou O Aleph, são, entre outros, alguns dos nossos livros de culto. E alguns, como Pedro Páramo, são-no de cabeceira. Ficções é outro dos nossos preferidos.
Borges, neste conjunto de contos, transporta-nos para mundos imaginários e reais ao mesmo tempo.

Jorge Luis BorgesNa “Biblioteca de Babel” tudo se altera, tudo vai para lá da ordem habitual. “Não há nesta biblioteca dois livros idênticos. A biblioteca é total e as suas estantes registam todas as possíveis combinações dos vinte e tal símbolos ortográficos (número embora vastíssimo, não infinito). Ou seja, tudo o que nos é dado exprimir: em todos os idiomas. Tudo: a história minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos …”
E desta biblioteca mental somos transportados para a Lotaria da Babilónia, uma sociedade governada por uma Companhia que se dedica a tornar o quotidiano dos cidadãos num imenso jogo de lotaria, progressivamente complexa, até à insanidade, permitindo toda a espécie de teorias explicativas porque, como nos diz Borges, “a Babilónia não é outra coisa senão um infinito jogo de acasos”.
Surge-nos então Pierre Ménard, autor de “Quixote”, inteiramente igual ao “Quixote” de Cervantes, mas ao mesmo tempo absolutamente diferente.
E deste autor fictício somos levados para o mundo dos sonhos, das ruínas circulares onde desembarca, de noite, numa canoa de bambus, um homem que se sumia na lama sagrada. O mago vindo do sul. Deita-se junto de um templo e sonha. Ouviu a voz de deus.
E, de novo, um escritor: Herbert Quain. Morreu em Roxommon. Escreveu livros experimentais. Admiráveis. Era modesto. Os seus livros anseiam pelo espanto.
Salta-se para uma história de suspense, de espionagem. Madden era implacável, e perseguia-o. Para lhe fugir dirigiu-se ao jardim dos caminhos que se bifurcam. Aparece-lhe Stephen Albert. Na biblioteca reflectem sobre a obra de Ts’ui Pên, que não acreditava no tempo uniforme, absoluto. O narrador baleia Albert e é preso por Madden o que não implicou que a mensagem fosse dada; o mote para Berlim poder atacar a cidade secreta.
Da Europa, para a América Latina. Ireneo Funes, com “um cigarro no duro rosto”, sabia sempre as horas, “como um relógio”. Ficara paralisado de uma queda de cavalo. Tinha memória prodigiosa. Enumerava, em latim e espanhol, os casos de memória prodigiosa registados pela Naturalis história. Tinha aprendido, sem esforço, inglês, francês, espanhol, português e latim. E tinha 19 anos quando o narrador o conheceu (1868). Morreu em 1889 de uma congestão pulmonar.
O inglês da Colorada, como todos o conheciam em Tacuarembó, tinha uma cicatriz rancorosa na face. Era a marca da sua infâmia. Por ter denunciado o homem que o havia protegido. Ele, afinal, era Vincent Moon.
Kilpatrick foi um conspirador. E pereceu na véspera da rebelião que sonhara. As circunstâncias do seu assassinato (num teatro), são enigmáticas. E Ryan, o narrador desta história, inquieta-se com determinadas descobertas. E como na morte de César, na noite da morte de Kilpatrick houve presságios.
Erik Lönnrot não conseguindo impedir o último crime, previu-o na periódica série de “factos de sangue que culminaram na quinta de Triste-le-Rey”, no meio do “interminável cheiro de eucaliptos”.
“Jaromir Hladik foi preso ao anoitecer. Levaram-no para um quartel asséptico e branco, na margem oposta do Moldau. Não conseguiu rebater nem uma só das acusações da Gestapo: o seu sangue era judeu”.
Mas o milagre secreto aconteceu. Deus concedeu-lho: “ matá-lo-ia o chumbo alemão, na hora determinada, porém na sua mente um ano decorreria entre a ordem e a execução da ordem”.
Por fim, as três versões de Judas surgem antes da “Seita da Fenix” e termina com aquele que o próprio Borges considera o seu melhor conto: O Sul.
Armando Palavras




Sem comentários:

Enviar um comentário

O decano dos jornalistas Portugueses

  ALEXANDRE  PARAFITA João Barroso da Fonte, que no próximo mês fará 87 anos, completa hoje (24 de janeiro) 73 anos sobre a data em que pu...

Os mais lidos