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| Virgilio Gomes |
Pastéis de Santo António
Quinta, 21 Março 2013 17:43
Tudo parecia ser uma notícia inocente, mas doce: a
apresentação dos Pastéis de Santo António, em Pernes, como marca registada na
sequência de um processo organizado pela Junta de Freguesia de Pernes.
Tenho-me dedicado a descobrir e estudar as estórias
associadas à história da doçaria portuguesa quer seja popular ou conventual.
Quando me falaram em Pastéis de Santo António fui de imediato vasculhar às
minhas fontes de doçaria conventual, tinham-me garantido que estes eram
conventuais, mas não tive grande sucesso. De Santo António apenas encontrei uns
pãezinhos que se fazem no Brasil! Depois também me contaram que no concelho de
Almada também se confecionam. Mas a minha fonte local, o meu amigo Vicente
Batalha, ilustre teatrólogo e especialista em Bernardo Santareno, confirmou-me
que eram conventuais, falou-me da tradição local e contou-me a história do
convento. O Convento das Congregadas da Senhora de Sant’ Ana nasceu em 1753 e
encerrou em 1845, possivelmente pela extinção das ordens religiosas decretada em
1834 e os seus bens nacionalizados. Este edifício foi resgatado das ruínas pela
junta da paróquia de Pernes em 1884 para aí instalar as escolas primárias que
aí funcionaram até 1979. Posteriormente foram feitas grandes obras entre
1986/89 para albergar as instalações da Junta de Freguesia que deram ao
edifício a configuração atual. E porque se chamam de Santo António? Sempre
existiu em Pernes uma devoção especial a Santo António, primeiro pela sua
capela existindo desde 1585 e depois também pelo Cenóbio que era constituído
por habitações de monges cenobitas em volta daquela capela.
De
volta a Portugal e à nossas “coisas”:

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