Esta revista é uma forma de preservar as
memórias de um pequeno espaço territorial e humano do nosso interior fronteiriço,
antes que os senhores de Lisboa ou as suas empresas digam que aquele povoado já
pertence a Espanha ou o tempo apague esta bela página de solo e de casario
perpianhado em terras freixenistas ou junqueirianas.
Vamos à sua ficha identitária: «Memórias de Lagoaça» é uma revista cultural que a «Comissão de Festas de Nossa Senhora das Graças – Lagoaça 2026» quis que o tempo não triturasse as memórias e a cultura. O papel suporta com dignidade 44 páginas de cultura propriedade da Comissão de Festas, com a experiente coordenação de Armando Palavras. O arranjo gráfico e a impressão são da Exoterra, sediado no Porto, mas pertença do freixanista António Neto, tendo uma tiragem de 500 exemplares.
Abre com uma belíssima imagem de 2025,
do andor da Senhora das Graças de 2025, com notas de abertura do Presidente da
Comissão de Festas, do Presidente da Junta da União de Freguesias de Lagoaça e
Fornos e do Presidente do Concelho de Freixo de Espada-à-Cinta. Participam
nesta revista festiva e cultural, entre outros: Armando Palavras, com «Lagoaça
e a sua Ara Romana» e as vias romanas; Víctor Barros, com «Os Lagoaças» (um foi
Presidente do Município do Porto, no liberalismo); Elmiro Barbeiro, com «O
Milagre de Santo António» (que acalmou a fúria de um vagão da saudosa linha do
Sabor); José Veríssimo (Fragata), com «Já está a ficar com cu de velha» (diz-se
da azeitona enrugada) e «Sem pressa»; Teresa Almeida Subtil, com «Tresmalhada
Ternura» (mesmo enternecedora ou divina) e dois belos poemas em mirandês
(<Raiç d’arçana> e <poema de lhino>; António Ramalho, com «Santa
Marta» e «Senhor da Santa Cruz»; Manuel Pires, com «Lagoaça - Terra Nossa» e
«Zangarrão» (careto/diabo); e Hirondino Isaías, com «Serviços, Comércio e
Indústria em Lagoaça nos anos 50, 60 e 70».
Uma revista contra a corrente da maioria
das aldeias, vilas e cidades transmontanas, em que quase tudo se perde até as
palavras e a língua. Como me dizia um bom barrosão: «na minha terra já não há a
quem deixar a palavra». Em Lagoaça deixa-se a palavra, as tradições e a cultura
a quem a quiser receber. Parabéns à comissão de festas, à junta de freguesia,
ao município e aos autores.
Jorge Lage



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