Por Mário Adão Magalhães
Bom Dia Luxemburgo
Ribeiro Cardoso foi director do Povo de Fafe desde 1973 até ao último dos
seus dias. Sempre me impressionou a longevidade dessa ligação e a própria
história do jornal, que comecei a ler muito cedo e cuja data de fundação - 1940
- figurava orgulhosamente no cabeçalho, conferindo-lhe uma autoridade que o
tempo consolidou. Foi através das suas páginas que muitos conheceram a
realidade da região, encontrando também um espaço aberto aos jovens que
desejavam dar os primeiros passos no jornalismo. Ribeiro Cardoso fez do Povo de Fafe uma casa
de portas abertas para todos quantos desejavam escrever e participar na vida da
comunidade. Nunca foi apenas um jornal. Foi uma verdadeira escola de escrita,
de cidadania e de liberdade.
A influência de Ribeiro Cardoso ultrapassou largamente as
fronteiras daquele periódico. Foi um dos fundadores e impulsionadores de
diversas estruturas ligadas à Imprensa Regional, entre elas o Gabinete
de Imprensa de Guimarães, o IPIR (Instituto Português de Imprensa
Regional) e a APIR (Associação Portuguesa de Imprensa
Regional). Participou, com entusiasmo e espírito associativo, em muitas
instituições e agremiações que ajudaram a afirmar a identidade cultural,
desportiva e cívica de Fafe.
Foi no Gabinete de Imprensa que tive o
privilégio de o conhecer. Recordo-o como um homem afável, entusiasta, empenhado
e profundamente dedicado às causas. Exerceu funções nos órgãos sociais,
tendo-me ficado particularmente na memória a forma entusiástica e digna como
presidia à Assembleia-Geral. Para além dos cargos que desempenhou,
impressionava a coerência entre as suas palavras e os seus actos, sempre
orientados pela defesa da Imprensa Regional e pela valorização da Comunicação
Social.
Sou mais novo do que ele. Vou assistindo, com uma frequência
inquietante, ao perecimento dos que, na minha juventude, aprendi a admirar.
Costuma dizer-se que é a inexorável lei da vida. Eu continuo a pensar que é a
lei do tempo. É ela que me revela que os tempos passam e que, com eles, também
vai passando o meu próprio tempo. Cada perecimento aprofunda em mim a consciência
dessa inexorabilidade.
Com o perecimento de Ribeiro Cardoso, a Imprensa Regional perde
um dos seus mais dedicados servidores e Fafe perde uma das suas vozes mais
respeitadas. Permanece a obra, permanece o exemplo e permanece a memória de uma
vida inteiramente colocada ao serviço da informação, do associativismo e da
comunidade. É esse legado que sobreviverá ao tempo.
À família de Ribeiro Cardoso, aos colaboradores do Povo de Fafe, a todos os
condoídos e a todas as instituições de que fez parte, apresento as minhas mais
sentidas condolências e o meu profundo pesar.
Mário Adão Magalhães
(Não pratico
deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).


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