O PCP
manifestou-se esta quarta-feira contra a visita do presidente do Parlamento
ucraniano à Assembleia da República, acusando-o de liderar uma assembleia "antidemocrática
que é expressão de um poder suportado por forças xenófobas, belicistas,
fascizantes e nazis".
Do que se sabe, em termos
de factos históricos, quando os nazis avançaram para Leste, ao passarem pela
Ucrânia (à época sob o domínio soviético), obtiveram o apoio dos ucranianos
(que ao tempo ainda não sabiam que eram iguais aos soviéticos). E a razão
porque obtiveram esse apoio foi porque os ucranianos se queriam ver livres do
criminoso regime soviético de Estaline.
Portanto, essas afirmações do PCP são ignóbeis, como eram as proferidas pelos soviéticos.
Os livros infra dão uma noção daquilo que se passou nesse tempo. Basta lê-los.
Em 1932-3, quase quatro
milhões de ucranianos morreram de fome, tendo sido deliberadamente privados de
alimentos. É um dos episódios mais devastadores da história do século xx. Com
autoridade e detalhes sem precedentes, Fome Vermelha investiga como isso
aconteceu, quem foi o responsável e quais foram as consequências. É o relato
mais completo já publicado desses terríveis eventos.
Fome Vermelha baseia-se num manancial de material de arquivo e em
testemunhos em primeira mão disponíveis apenas desde o fim da União Soviética,
bem como no trabalho de estudiosos ucranianos em todo o mundo. Inclui relatos
da fome por aqueles que sobreviveram, descrevendo o que os seres humanos podem
fazer quando enlouquecidos pela falta de alimentos. Mostra como o Estado
soviético, impiedosamente, usou a propaganda para pôr os vizinhos uns contra os
outros, a fim de expurgar elementos supostamente antirrevolucionários. Também
regista as ações de indivíduos extraordinários que fizeram todo o possível para
aliviar o sofrimento.
Em paralelo com a fome, deu-se um ataque aos
líderes culturais e políticos da Ucrânia, e posteriormente entrou-se num
período de negação acerca desses acontecimentos. Os relatórios dos censos foram
falsificados e a memória foi obliterada. Alguns jornalistas ocidentais
acolheram a linha soviética, outros rejeitaram-na corajosamente e foram
perseguidos. As autoridades soviéticas estavam empenhadas em obrigar a Ucrânia
a abandonar as suas aspirações nacionais, e em enterrá-la juntamente com os
seus milhões de vítimas. Fome Vermelha, um triunfo da erudição e da
empatia humana, é um marco na recuperação daquelas memórias e daquela história.
E mostra até que ponto o presente é moldado pelo passado.
https://www.fnac.pt/Fome-Vermelha-Anne-Applebaum/a10091445
O terceiro volume da coleção + Liberdade, é um
extraordinário testemunho de um antigo funcionário soviético, nascido na
Ucrânia, que revela a história da sua vida na Rússia, as experiências como
membro do Partido Comunista e a ruptura com o regime soviético, em 1944, após
ser nomeado para uma comissão nos Estados Unidos da América.
Victor Kravchenko nasceu em Yekaterinoslav, na
Ucrânia, em 1905. Filho de um revolucionário, foi criado num ambiente de
revolta contra o czarismo, tendo vivido intensamente a confusão e as ambições
que se seguiram à revolução de 1917. Em 1929, quando Estaline toma as rédeas do
comunismo mundial, foi admitido no Partido Comunista e rapidamente se revelou
um importante elemento para o partido.
O seu relato, que foi originalmente publicado em
1946 e traduzido para mais de vinte idiomas, é uma descrição pormenorizada e
dramática da vida russa sob a ditadura do Partido Comunista e da fuga de um
homem para a liberdade.
No livro, o dissidente revela detalhes sobre a
Coletivização, o Holodomor (a Grande Fome) e o envio de milhões de
inocentes para as prisões e para os campos de trabalhos forçados da Sibéria,
conhecidos como Gulag - antecipando cerca de três décadas o relato de Alexander
Soljenitsin em Arquipélago Gulag.
A sua história deu origem ao "julgamento do
século" em Paris, com Victor Kravchenko a processar o jornal francês Les
belles Lettres por difamação ao considerar que a sua fuga tinha sido
orquestrada e que ele próprio era um agente norte-americano. Deste episódio
resultaria o segundo livro de Kravchenko, intitulado "Eu escolhi a
justiça"(1950).
Kravchenko faleceu em 1966 em Nova Iorque e a
sua morte permanece rodeada em mistério, pois apesar da versão oficial indicar
como causa o suicídio, subsiste a dúvida se terá sido morto por agentes
soviéticos.
PREFÁCIO DE LIUDMILA ULÍTSKAIA
TRADUÇÃO DE ANTÓNIO PESCADA
Cartas do Pai reúne cartas de dezasseis
homens, a maioria membros da intelligentsia soviética, presos em campos do
GULAG. As cartas são dirigidas aos filhos e às mulheres. No seu conjunto, são
testemunhos do período mais duro da repressão estalinista na URSS.
As cartas são por vezes ilustradas por pais empenhados em encorajar a formação
científica e literária dos filhos.
«Uma
grande parte dos pais que escreviam cartas aos seus filhos nunca mais os viram,
poucos foram os que voltaram, quase todos eles foram fuzilados ou morreram de
uma morte precoce, de fome e do trabalho extenuante. Presentemente, até muitos
dos destinatários, seus filhos, já não existem neste mundo. Mas nos arquivos da
organização Memorial conservam-se essas cartas preciosas — grande monumento ao
amor.» [Do Prefácio de Liudmila Ulítskaia]
Elza Kungaeva, Natalia Gorbanevskaya, Pavel Fedulev ou
Yaroslav Fadeev são alguns dos rostos de Moscovo, de São Petersburgo ou da
Chechénia que protagonizam estas histórias da vida pública e privada da Rússia
moderna e levantam o véu sobre o estado de coisas no longo inverno político de
Vladimir Putin: a degeneração do Exército, o desaparecimento da intelligentsia,
a estalinização do país, o crime organizado ou a corrupção endémica nas
estruturas de poder.
Anna Politkovskaya deu-lhes voz, reportando a verdade
sobre Putin e o clima de medo instaurado na Nova Rússia, num espírito
inquebrável de luta pela liberdade e na esperança de acordar uma sociedade que
só quer ser embalada até adormecer.
Obra de leitura essencial para compreender o regime de
Putin, a Guerra na Ucrânia e a Rússia de hoje, A Rússia de Putin é o último
livro publicado em vida por esta autora, uma das figuras mais célebres e
premiadas do jornalismo internacional, ativista dos direitos humanos, cujo
assassinato à porta de casa, em 2006, chocou o mundo.
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