Já vos escreve o JG85 e ele mais
do que ninguém está muito curioso de saber o que tem para dizer agora que é um
respeitável cidadão de 85 anos. Assim, de momento nada que me pareça
interessante, mas nesta minha nova condição alguma coisa há-de ter acontecido
que me capacite para produzir um texto que se distinga e se proponha estar a
ser produzido por uma mente hoje diferente da de ontem. Porque os 85 anos, um
número redondo, certamente gerarão outra capacidade criativa, que não será
melhor nem pior do que a de ontem, mas será certamente diferente. Estou então a
gerar um texto real em tempo real, são 00h42 minutos, do dia 15 de Fevereiro de
2026, não tenho sono, acabei de pôr a mesa para amanhã amesendar aqui a
família, vejo as letras aparecerem aqui na A4 do word como se alguém as pusesse
por mim, quase me toco para saber se está tudo em ordem e se estou senhor da
situação. Vejo que sim, afinal continuo a poder escrever sobre tudo ou nada, o
que vai dar ao mesmo, não perdi capacidades com o avanço da idade, mais um ano,
mas também não ganhei, sendo certo que se quiser posso ficar aqui a produzir esta
literatura de cordel como se fosse um clássico no qual se admira tudo o que
escreve, ainda que nada mais diga do que vacuidades, ou generalidades e
culatras, no nosso jargão militar. Mas, vamos lá, escrever coisas vagas sem
nenhum valor acrescentado e ainda assim prender quem me conseguiu ler até aqui
é já um feito notável de capacidade de produzir cultura geral que se lê e
digere com leveza e curiosidade com algum sentido de humor, pois este exercício
está a deixar-me bem-humorado. E, pronto, o ponteiro do relógio não pára, está
já nas 00h51, e eu continuo sem sono. Sabem porquê?
E agora vem a parte em que me
confesso: é que me está a dar um gozo do caraças ter 85 anos, de tal maneira
que nem me apetece deitar. A partir de hoje passarei a ser o membro da minha
família, desde os bisavós, que atingiu tal idade. E pude constatar, de
experiência feita, que se chega lá sem abrir ou fechar alguma porta, ou melhor
vai abrir mais aquela porta que dá para sala na qual eu sou o mais velho.
Venham então de lá esses 85 anos
que eu os irei viver com serenidade. Sim, serenidade é o melhor estado
emocional para me caracterizar nestes primeiros momentos da minha nova
condição. Do resto, não me queixo!
Na TSF, aqui ao lado, deu agora a
1 da manhã deste que será o primeiro dia do resto da minha vida.
Bom dia!
CNX15FEV2026JG85

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