terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

1º texto de um tempo novo

JORGE  GOLIAS


Já vos escreve o JG85 e ele mais do que ninguém está muito curioso de saber o que tem para dizer agora que é um respeitável cidadão de 85 anos. Assim, de momento nada que me pareça interessante, mas nesta minha nova condição alguma coisa há-de ter acontecido que me capacite para produzir um texto que se distinga e se proponha estar a ser produzido por uma mente hoje diferente da de ontem. Porque os 85 anos, um número redondo, certamente gerarão outra capacidade criativa, que não será melhor nem pior do que a de ontem, mas será certamente diferente. Estou então a gerar um texto real em tempo real, são 00h42 minutos, do dia 15 de Fevereiro de 2026, não tenho sono, acabei de pôr a mesa para amanhã amesendar aqui a família, vejo as letras aparecerem aqui na A4 do word como se alguém as pusesse por mim, quase me toco para saber se está tudo em ordem e se estou senhor da situação. Vejo que sim, afinal continuo a poder escrever sobre tudo ou nada, o que vai dar ao mesmo, não perdi capacidades com o avanço da idade, mais um ano, mas também não ganhei, sendo certo que se quiser posso ficar aqui a produzir esta literatura de cordel como se fosse um clássico no qual se admira tudo o que escreve, ainda que nada mais diga do que vacuidades, ou generalidades e culatras, no nosso jargão militar. Mas, vamos lá, escrever coisas vagas sem nenhum valor acrescentado e ainda assim prender quem me conseguiu ler até aqui é já um feito notável de capacidade de produzir cultura geral que se lê e digere com leveza e curiosidade com algum sentido de humor, pois este exercício está a deixar-me bem-humorado. E, pronto, o ponteiro do relógio não pára, está já nas 00h51, e eu continuo sem sono. Sabem porquê?

E agora vem a parte em que me confesso: é que me está a dar um gozo do caraças ter 85 anos, de tal maneira que nem me apetece deitar. A partir de hoje passarei a ser o membro da minha família, desde os bisavós, que atingiu tal idade. E pude constatar, de experiência feita, que se chega lá sem abrir ou fechar alguma porta, ou melhor vai abrir mais aquela porta que dá para sala na qual eu sou o mais velho.

Venham então de lá esses 85 anos que eu os irei viver com serenidade. Sim, serenidade é o melhor estado emocional para me caracterizar nestes primeiros momentos da minha nova condição. Do resto, não me queixo!

Na TSF, aqui ao lado, deu agora a 1 da manhã deste que será o primeiro dia do resto da minha vida.

Bom dia!

CNX15FEV2026JG85

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